23 de agosto de 2017

Amor é a inconstância do sentir

Descobrir o amor é como se arriscar numa montanha-russa pela primeira vez, você começa calmo, apenas se deslocando, subindo, encarando pequenas ondulações e frios na barriga em curtos espaços de tempo. E continua subindo, desacelerando, acelerando um pouco mais. Até chegar ao ápice, ao ponto mais alto. E aí você desaba numa onda de adrenalina e medo, nutrindo uma sensação de bem estar e de estômago revirado ao mesmo tempo, até tudo voltar a desacelerar. Tudo, menos o coração. 

O coração continua inquieto, as pernas continuam bambas depois dessa aventura e você olha para trás e a única coisa que consegue pensar é: daria tudo para sentir isso novamente. 

E você dá tudo de si, enfrenta seu medo de altura, suas fobias bobas. Sua vontade de desistir fica de lado e você coloca a cara a tapa e encara mais uma vez os altos e baixos, as borboletas no estômago, o sentimento congelante de cair em um poço sem fundo e o medo de não ter uma corda para poder voltar... mas algo te trás segurança, sem saber o que ao certo é isso que te faz ir em frente mais uma vez.

Amar é inconstância, é se jogar no desconhecido como se soubesse lidar, como se o pouco que se conhecesse e a leve experiencia que já se teve fosse o suficiente para acreditar naquele mantra de que vai dar certo a todo custo. A verdade é que não precisa dar certo, amor é dar errado num dia e certo no outro. 

Não existe um padrão que defina qual o ponto exato de perfeição na conexão de duas almas. Só se descobre o amor, amando. Entenda o que eu digo, se descobre o amor, não a definição dele. Quem sente sabe que lágrimas não cobrem o valor do sentir, tempo não cura a cicatriz das lembranças. 

Amor não gera raiva, não gera rancor e ao contrário do que dizem, amor e ódio não andam juntos. Quem cultiva esse sentimento dentro de si, não deixa espaço para o oposto tentar semear. Amor é a inconstância do sentir, a fragilidade de um coração que palpita na adrenalina que o medo trás e consegue enxergar beleza na tensão da conectividade do corpo e da alma. 

22 de agosto de 2017

Geração carência

Talvez vá soar rude, mas é a realidade que me surge: estamos vivendo numa geração carente de atenção. Uma geração de pessoas tão, mas tão vazias por dentro que só sabem buscar no exterior uma forma de preencher esse buraco aberto e acabam se encontrando na crítica assertiva de outros ao tentar suprir a própria carência emocional. 

Queria é ter uma estatística matemática do futuro dessa busca interminável, digo, aonde tudo isso vai parar? Ao que nos leva, no final?

Estamos vivendo a era da aprovação alheia e esquecendo do crescimento pessoal por si próprio. Pense, quanto mais se busca um favoritismo, mais distante de quem se é ficamos. O que eu quero colocar em evidência é justamente essa mania incessante de ser a idealização de algo que não é você porque agrada o outro. Nessa onda de chamar atenção acabamos esquecendo quem somos de verdade.

Esquecemos o que é ficar só, o que é chamar nosso pensamento para conversar numa noite de insônia. Desaprendemos o valor da solitude ao deixar o exterior tomar conta do nosso ser. Não é preciso ser dependente de algo ou alguém, não é preciso agradar para enxergar a felicidade. 

Somos uma geração que esqueceu princípios e não digo para se prender a regras e ao passado, mas se filiar com fé no valor do autoconhecimento. Saber quem se é de verdade, para além dos likes e da aprovação alheia. Reaprender a gostar do cru, daquilo que se enxerga sem filtro, do coração que se aceita sem padronizações. 

Somos uma geração dependente do mundo, carente de toque, afeto e carinho mascarados por futilidades. Uma geração que esqueceu o senso de atitude e se vê mergulhada na facilidade de levar as coisas adiante sem muito questionar, que arrisca pensando no mérito e encontra arrependimento quando as coisas finalmente desabam. 

Uma geração que constrói pilares em corpos alheios e esquece de, antes, solidificar seu próprio ser. 



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