26 de janeiro de 2013

Lágrimas de insônia a partir da meia-noite


Era madrugada, a luz do clarear do dia começava a reluzir entre as venezianas e a cortina branca rendada. Olhos abertos e atentos, lábios mudos, corpo paralisado e pensamento voando longe, fora assim a noite toda. O primeiro raio de sol se encontra com o espelho e desconforta o olhar perdido, as pupilas dilatam. As mãos, antes intactas, se direcionam a cabeça. E os lábios encaixam uma palavra assustada em um grito silencioso. Calma e quase inconsciente, ao buscar a hora a vê no reflexo do celular. São exatamente seis horas da manhã, maquiagem borrada, rímel escorrido, felicidade inacabada. Outrora, menina doce, vislumbrava o espelho, admirando seu vestido estampado em flores e rodado, suas sapatilhas brancas, encontrava os anéis e outras jóias que não desgrudava, pegava sua echarpe branca meio transparente, sua bolsa e ia ao encontro de seu príncipe encantado. Não posso revelar os segredos do início daquela noite, talvez linda ou talvez assustadora. Agora, fria e calculista, encontra-se deitada entrelaçada ao lençol cor-de-rosa com a última lembrança dele em mãos. Iria completar dois anos de namoro, era pra ser um encontro especial, romântico, haveria trocas de carinho, beijos, abraços e na noite que seguia a insônia ia predominar à dois em um quarto, quem sabe a luz de algumas velas ou de um abajur antigo, haveria amor pra dar e vender. Era tudo o que a pobre e inocente garota imaginava. Mas o destino é incerto, prega peças na vida, faz humor com a protagonista. E foi assim que se cedeu, um encontro à três, uma nova pessoa, uma despedida e lágrimas de insônia a partir da meia-noite. (ficção)

- Gabrielle Roveda


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