14 de junho de 2013

Leio ou não?: Água Para Elefantes - Sara Gruen


Autor: Sara Gruen 
Editora: Arqueiro
Gênero: Ficção - Romance
Páginas: 272 páginas.
Nota: ✰✰✰✰✰

Água para Elefantes era um dos livros que há tempo desejava ler. A linguagem simples e clara de Sara Gruen nos une à leitura intensamente e como consequência nos prende de imediato. Foi a segunda leitura mais rápida que tive, só fica depois de A Última Música. O enredo gira em torno da vida de Jacob Jankowski, um senhor de 90 ou 93 anos que vive em uma casa de repouso. Ao longo das páginas amarelas a história de Jacob é contada de forma que as lembranças do passado desse homem se acendem e, assim, toda a trajetória desde a entrada no circo Irmãos Benzini o Maior Espetáculo da Terra até o seu romance com Marlena se concretizar, são contadas. O livro pode até ser considerado um romance, mas a intensidade dos fatos entre Jacob e sua amada começam a surgir a partir da metade. É narrado em primeira pessoa, e acho que esse fato também chamou minha atenção. Gosto de me sentir como se fosse o personagem, sentir o que querem realmente passar. Jacob perdeu os pais e a casa no mesmo dia em que ia concluir, com as provas finais, a faculdade de medicina veterinária em Cornell. Foi por esse fato que resolveu ir embora da cidade, já sem nenhuma esperança, perto da estrada de ferro, pula em um trem e é abordado por pessoas de um circo. E foi assim que começou a sua trajetória dentro de uma comunidade ambulante. Ele passa de trabalhador para veterinário e logo após começa a ter suas responsabilidades com a elefanta Rossie. Aos poucos sua paixão e amor pela mulher de seu chefe surge e ao conhecê-lo melhor, descobre que August não era lá o que as primeiras aparências mostraram. Após um fato absurdo, Jacob então resolve tirar a amada dos braços de um canalha e tentar seu amor com ela, mesmo que pra isso precisassem deixar o circo. E foi num desses acontecimentos que o circo Irmãos Benzini o Maior Espetáculo da Terra teve seu fim. E eles? Bom, o final é feliz, só digo isso. A autora conseguiu surpreender desde a primeira frase do livro até a última. Digo que o início começou tão intenso e o final conseguiu ser mais intenso ainda. Apesar de começar com um drama o último capítulo e o extremo ponto de felicidade nele que Sara trás nos deixa sorrindo que nem bobos. Com certeza é um dos melhores contos que li, sem contar que virei fã da Sara Gruen! Não sei vocês que leram, mas eu gostei muito. E pra quem ainda não teve a oportunidade de lê-lo, sério, leiam!

Sinopse (via Saraiva)

Desde que perdeu sua esposa, Jacob Jankowski vive numa casa de repouso, cercado por senhoras simpáticas, enfermeiras solícitas e fantasmas do passado. Por 70 anos Jacob guardou um segredo. Ele nunca falou a ninguém sobre os anos de sua juventude em que trabalhou no circo. Até agora. Aos 23 anos, Jacob era um estudante de veterinária. Mas sua sorte muda quando seus pais morrem num acidente de carro. Órfão, sem dinheiro e sem ter para onde ir, ele deixa a faculdade antes de prestar os exames finais e acaba pulando em um trem em movimento - o Esquadrão Voador do circo Irmãos Benzini, o Maior Espetáculo da Terra. Admitido para cuidar dos animais, Jacob sofrerá nas mãos do Tio Al, o empresário tirano do circo, e de August, o ora encantador, ora intratável chefe do setor dos animais. É também sob as lonas dos Irmãos Benzini que Jacob vai se apaixonar duas vezes: primeiro por Marlena, a bela estrela do número dos cavalos e esposa de August, e depois por Rosie, a elefanta aparentemente estúpida que deveria ser a salvação do circo. "Água para Elefantes" é tão envolvente que seus personagens continuam vivos muito depois de termos virado a última página. Sara Gruen nos transporta a um mundo misterioso e encantador, construído com tamanha riqueza de detalhes que é quase possível respirar sua atmosfera.

Trecho do Livro:

Olhei de um lado para o outro. Ninguém mexia um músculo sequer – todos os olhos se dirigiam à grande tenda. Alguns fiapos de feno rodopiavam preguiço samente pelo chão.

– O que foi isso? O que está acontecendo? – perguntei.

– Psiu! – silvou Grady.

A banda atacou de novo, dessa vez com “Stars and Stripes Forever”.

– Meu Deus! Ah, que merda! – Grady jogou a comida na mesa e se levantou de um salto, derrubando o banco.

– O que foi? – berrei, pois ele já corria para longe de mim.

– A Marcha Fatídica! – gritou ele, virando a cabeça para trás.

Olhei nervoso para o cozinheiro, que estava se livrando do avental.

– De que diabos ele está falando?

– Da Marcha Fatídica – disse ele, lutando para tirar o avental pela cabeça.

– É sinal de que está acontecendo algo errado. Muito errado.

– Como o quê?

– Fogo na grande tenda, estouro de animais, qualquer coisa assim. Ai, meu bom Jesus! Os pobres caipiras provavelmente ainda não sabem de nada. – Ele se abaixou para passar pela porta de vaivém e se mandou.

Caos – os baleiros saltavam por cima dos balcões, operários saíam cambaleantes de debaixo das abas da tenda e outros empregados do circo atravessavam precipitadamente a área. Todos os que estavam ligados ao Circo Irmãos Benzini, o Maior Espetá culo da Terra dispararam em direção à grande tenda. Diamond Joe passou por mim em disparada, o equivalente humano de um galope.

– Jacob, são as jaulas – gritou ele. – Os animais se soltaram. Corra, corra! Ele não precisava repetir. Marlena estava naquela tenda.

Ao me aproximar, ouvi um grande estrondo e fiquei apavorado. Não se podia chamar aquilo de barulho. O chão estava vibrando.

Entrei cambaleante e me deparei com um iaque – um animal enorme, de pelos enrolados, cascos agitados, ventas vermelhas furiosas e olhos que giravam. Ele passou galopando tão perto de mim que dei um salto para trás, rente à lona, para não ser atingido por um de seus chifres curvos. Uma hiena apavorada se agarrava ao dorso do iaque.

A grande barraca de balas que ficava no centro da tenda tinha sido arrasada e em seu lugar havia um aglomerado de manchas e listras que se agitava – ancas, patas, rabos e garras rugindo, berrando ou relinchando. Acima de tudo aquilo, um urso-polar batia às cegas as patas do tamanho de uma frigideira. Ele esbarrou em uma lhama e – pum! – a derrubou. A lhama se estatelou no chão, o pescoço e as pernas como as cinco pontas de uma estrela. Chimpanzés berravam, balançando-se nas cordas para se manter fora do alcance dos felinos. Uma zebra de olhos desvairados ziguezagueou perto demais de um leão agachado, que deu o bote, errou e se afastou, quase rastejando pelo chão.

Meus olhos varreram a tenda desesperados, à procura de Marlena. Em vez dela, vi um felino entrando sorrateiramente na passagem que levava à grande tenda – era uma pantera, e quando seu corpo negro e ágil desapareceu no túnel de lona eu me preparei para o ataque. Se os caipiras ainda não sabiam, estavam prestes a descobrir. Demorou alguns segundos, mas então aconteceu – um grito seguido de outro, e depois outro, e então todo o circo explodiu num barulho estrondoso de corpos tentando abrir caminho entre outros corpos e sair da arquibancada. A banda guinchou e parou novamente, mas dessa vez permaneceu em silêncio. Fechei os olhos:Deus, por favor, faça com que eles saiam pelos fundos. Não deixe que eles tentem passar por aqui.

Tornei a abrir os olhos e esquadrinhei a tenda das jaulas, louco para encontrá-la. Pelo amor de Deus, será que é tão difícil encontrar uma garota e um elefante?

Quando vislumbrei as lantejoulas cor-de-rosa, quase chorei de alívio – pode ser que eu tenha chorado. Não lembro.

Ela estava de pé do outro lado, encostada na parede, calma como um dia de verão. As lantejoulas brilhavam como diamantes líquidos, um farol cintilante entre as peles coloridas dos animais. Ela também me viu e manteve meu olhar preso ao seu pelo que me pareceu uma eternidade. Ela estava tranquila, lânguida. Até sorria. Comecei a abrir caminho na direção dela, mas algo em sua expressão me paralisou.

Aquele filho da puta estava parado de costas para ela, com a cara vermelha, berrando, agitando os braços e balançando a bengala de ponteira de prata. A cartola de seda estava jogada no feno ao lado dele.

Ela procurava alguma coisa. Uma girafa passou entre nós – o pescoço comprido se balançando graciosamente, apesar do pânico. Quando a girafa saiu da frente, vi que ela pegara uma barra de ferro e a segurava sem firmeza, com uma ponta pousada no chão de terra batida. Ela me olhou de novo, estupefata. E então seu olhar se voltou para a cabeça dele.

– Ai, meu Deus! – murmurei, compreendendo de repente. Dei um passo cambaleante à frente e gritei, mesmo sem qualquer chance de ser ouvido. – Não faça isso! Não faça isso!


Ela levantou a barra bem alto e a baixou, rachando a cabeça dele como uma melancia. O crânio se abriu, os olhos se esbugalharam e a boca ficou paralisada num “O”. Ele caiu primeiro de joelhos e depois para a frente, no feno.

Eu estava atônito demais para me mexer, mesmo quando um jovem orangotango passou seus braços elásticos em volta das minhas pernas. Faz muito, muito tempo. Mas ainda me assombra.

NÃO FALO MUITO SOBRE ESSES DIAS. Nunca falei. Não sei por quê – trabalhei em circos por quase sete anos, e se isso não é assunto para conversas, não sei o que mais pode ser.

Na verdade, eu sei por que não falo sobre isso: nunca confiei em mim. Eu tinha medo de deixar escapar alguma coisa. Sabia como era importante guardar o segredo dela e de fato o guardei – pelo resto de sua vida e depois.

Em 70 anos, nunca o revelei a ninguém.

6 comentários:

  1. Olá!!!, Deus te abençoe, sucesso o seu blog é um show, post maravilhoso amei, já estou te seguindo, OBRIGADA PELA VISITA. Aguardando retribuição.
    Curta e participe do meu blog, fan Page, twitter, instragam e canal do youtube.
    Blog: http://arrasandonobatomvermelho.blogspot.com.br

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  2. Sempre quis ler esse livro, mas nunca tive a oportunidade de comprá-lo. E eu tenho uma lista bem grande de livros pra ler, então eu tenho que me organizar antes ;s
    Mas eu adorei a resenha que fez e os trechos!
    Beijos :)

    http://primasxavier.blogspot.com.br/

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  3. Gostei muito da sua resenha, mas por enquando ainda só vi o filme.E que desenho fofo o da postagem s2
    Bjs
    http://eternamente-princesa.blogspot.com.br/

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  4. O filme é lindo!

    Obrigada pela visitinha, já sigo aqui :)

    Tem uma tag e um selinho pra você lá no blog http://noostillo.blogspot.com.br/2013/06/selinhos-e-tags.html

    beijinhos ;*

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  5. Amei seu blog... Muito muito prefeito,seguindo aqui viu ;) e quero muito ler água para elefantes...
    Criei meu blog mês passado, ele é bem novinho ainda, então se alguém o visitasse ajudaria muito, e é só comentar que eu sigo de volta...
    XOXO
    umnovo-roteiro.blogspot.com

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  6. Eu assisti esse filme é lindo , image o livro deve ser bem mais emocionante. Beijos, http://www.feriadoparticular.com/

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