7 de julho de 2013

Leio ou não?: A Menina Que Não Sabia Ler - John Harding



Autor: John Harding
Editora: LeYa
Gênero: Ficção
Páginas: 220 páginas.
Nota: ✰✰✰✰✰

Eu não sei nem como começar a escrever sobre um livro tão surpreendente. A obra logo chamou minha atenção primeiro pela capa, vamos ser sinceros, ficou linda; e depois pelo nome, mesmo que de qualquer forma não seja nada parecido com o original, Florence and Giles; e por fim, pela brilhante história que John Harding criou. Apesar do título brasileiro trazer uma "vaga" lembrança de A Menina Que Roubava Livros, a história que o compõe não tem nenhuma semelhança. John trouxe a vida de Florence, contada em primeira pessoa pela própria. A menina tinha 12 anos, morava em Blithe House e tinha um meio-irmão, o qual era o único por quem faria tudo. Impossibilitada de ser alfabetizada por loucuras de seu tio, Flo aprendeu por si própria a juntar as letras e formar palavras; assim guardou seu segredo para sempre. Após seu irmão voltar da escola por não sentir-se adequado ao local, seu tio contratou um preceptora para lhe alfabetizar, só que essa morreu no lago da propriedade. E assim, foi lhes mandado uma nova, a Sra. Taylor. Aos olhos de Florence, a mulher que toda hora vestia-se de preto era o fantasma de sua antiga preceptora; para ela, a Sra. Taylor aparecia nos espelhos, a observava de todas as formas e queria levar seu querido irmão para bem longe, roubá-lo. Por pensar assim, Flo se voltou contra a nova preceptora, tentando salvar Giles dessa bruxa. Só que todos os seus planos corriam risco perto dos malévolos planos do espírito em forma humana. Florence passa por poucas e boas ao longo das páginas e tem a ajuda de seu único amigo, Theo Van Hoosier, um garoto asmático com um final dramático. O desfecho é realmente surpreendente, eu fiquei boquiaberta com tudo o que aconteceu! Posso dizer que é um enigma e que cada um pode interpretar de um jeito. Florence é uma garota esperta e mesmo quando tudo parecia perdido ela consegue enrolar o destino. Algumas atitudes adultas que Flo toma no ponto crucial do livro me fizeram pensar que uma garota dessa idade não poderia fazer tanto. Mas John, em sua loucura, fez com que ela tomasse essas atitudes. E falando sobre a Sra. Taylor, bem ela não era quem pensavam ser. É um dos livros que com certeza eu indicaria. A linguagem é fácil e embora a leitura seja massante no início e um pouco lenta, a partir de um ponto ela passa a correr e antes que você veja já terminou de ler. Vou ficar com saudade do mundinho de Blithe e dos pensamentos alucinados de Florence. 


Sinopse (via Skoob):

1891. Nova Inglaterra. Em uma distante e escura mansão, onde nada é o que parece, a pequena Florence é negligenciada pelo seu tutor e tio. Guardada como um brinquedo, a menina passa seus dias perambulando pelos corredores e inventando histórias que conta a si mesma, em uma rotina tediosa e desinteressante. Até que um dia Florence encontra a biblioteca proibida da mansão. E passa a devorar os livros em segredo. Mas existem mistérios naquela casa que jamais deveriam ser revelados. Quem eram seus pais? Por que Florence sonha sempre com uma misteriosa mulher ameaçando Giles, seu irmão caçula? O que esconde a Srta. Taylor? E por que o tio a proibiu de ler? Florence precisa reunir todas as pistas possíveis e encontrar respostas que ajudem a defender seu irmão e preservar sua paixão secreta pelos livros - únicos companheiros e confidentes - antes que alguém descubra quem ousou abrir as portas do mundo literário. Ou será que tudo isso não seria somente delírios de uma jovem com muita imaginação?


Trecho do Livro:

  Estávamos sentados lado a lado em um banco de pedra junto ao lago, mas afastei-me dele, sentando-me na outra ponta, por considerar suas atenções aborrecidas, e estava prestes a levantar-me para ir embora quando então ele deixou escapar, sem dúvida porque devo ter mencionado Shakespear, que havia visto Hamlet. Pus-me alerta, endireitei-me e olhei para ele novamente. Talvez, afinal, esse rapaz não fosse tão iletrado quanto conseguia fazer parecer; havia possibilidades aí, eu senti. Propus-lhe um acordo. Eu lhe daria  permissão para o beijo que tanto desejava se ele escrevesse um poema para mim.

  Bem, ele puxou caderno e lápis e atirou-se à tarefa ali mesmo. Em pouco tempo estava arrancando a página em que havia escrito e entregando-a a mim, o que me impressionou bastante, mas ouso dizer que se pode imaginar o que aconteceu. Garota idiota, eu queria que ele me desse um dia de verão, e realmente pensei que pudesse. Em vez disso, é claro, enrolou-me com um versinho e, depois de ter forçado o beijo a que alegava ter direito, deixou-me chorando junto ao lago, não só beijada grosseiramente, mas também com uma poesia ruim. Eis como acabava a ode de Van Hoosier, assim você entenderá por si mesmo:

Quem é que sendo um pouco inteligente
Não gostaria de beijar Florence?

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