11 de novembro de 2013

Leio ou não?: O Mundo de Sofia - Jostein Gaarder


Autor: Jostein Gaarder
Editora: Companhia das Letras
Gênero: Romance
Páginas: 566 páginas.
Nota: ✰✰✰✰✰

O Mundo de Sofia é um livro para ser relido diversas vezes. Não apenas trás a questão filosófica aflorada em cada página, nos conduz a criação de uma própria tese. Jostein Gaarder teve como objetivo quando iniciou sua obra trazer um termo didático sobre a filosofia, já que era professor, buscando uma forma de levar o conhecimento amplo a jovens e crianças. O livro pode ser considerado complexo e muito bem estruturado, digamos que até um livro "adulto" por questões de um raciocínio melhor adequado, mas seu propósito voltou-se aos ensinamentos da filosofia numa faixa etária menor. A obra abrange desde os filósofos da natureza até os do século XX, teorias conhecidas como as de Darwin e Freud se fazem presentes, trás uma base da história e filosofia de Sócrates, Platão, Aristóteles e muito mais. Só que o livro não é baseado apenas nos ensinamentos principiantes da filosofia, há muito mais escondido. Muito mais a ser percebido em cada página dessa grande obra. 
"Um sonho é uma pequena obra de arte, e criamos um por noite."
 O livro ganhou sua segunda edição a pouco tempo, antes sua capa era azul e com algumas ilustrações na frente. Agora, a capa segue em cor laranja e um título usado como própria arte. Achei as duas capas bonitas, mas a primeira ainda é a melhor. O livro é um pouco grosso, afinal são 566 páginas, dá aquela vontade de desistir na metade. Mas assim que o olhar se volta para o texto novamente, o pensamento se perde, as horas correm e o querer saber o final permanece. Confesso, pensei em desistir muitas vezes, pois é muita teoria, é um livro onde temos que parar para pensar, raciocinar e até mesmo voltar e ler novamente para entendermos. Mas é uma obra que vale a pena. Não foi ao final da obra que percebi e sim, no início: cada página é uma forma de desafio com a mente do leitor, digamos assim, o autor brinca com a questão da filosofia, ensina e de alguma forma nesse meio termo faz com que o leitor se aproxime do conhecimento e crie sua teoria sobre o assunto.
"Somos como atores num palco, mas entramos em cena sem que tivéssemos oportunidade de decorar nosso papel, sem um roteiro definido e sem alguém para nos soprar nossas falas. Nós próprios devemos escolher como queremos viver."
Mas porque o Romance da História da Filosofia? O livro não trata de termos didáticos apenas, como disse logo acima, o autor achou um jeito de trazer a matéria para os seus alunos e jovens do mundo inteiro através de um romance. E foi aí que ele criou a história de Sofia Amundsen e de seu professor de filosofia Alberto Knox. Quando Sofia estava prestes a completar seus 15 anos começou a receber cartas de aniversário para a filha de um major da ONU que estava no Líbano, todas datadas de 15 de junho (data do seu aniversário também) com destinatário "Hilde Moller Knag a/c Sofia Amundsen". A garota deveria entregar essas cartas a esta tal de Hilde, porém não a conhecia e não sabia nem como encontrá-la. As cartas eram enviadas pelo pai da própria Hilde, mas porque ele enviaria para Sofia e não para a própria filha? Era o que Sofia queria saber. Além dessas cartas, ela começou a receber outras anônimas com perguntas como "Quem é você?" e "De onde vem o mundo?" e isso a levou a Alberto Knox com uma aula de filosofia gratuita e o direito a uma amizade que duraria para toda a eternidade. Sofia e Alberto descobriram coisas que jamais imaginaram e podemos dizer que eles inclusive brincaram com o próprio criador do mundo da Sofia. Se pararmos para pensar ao fim do último capítulo, veremos que o ciclo criado pelo autor remete a nós mesmos e eterniza. As mesmas perguntas feitas no início permanecem sem uma resposta, mas a visão de um mundo totalmente diferente, ironizado e cheio de porquês surge, e aquelas crianças que fomos um dia querendo descobrir o mundo em seu todo ressurgem numa nova era e com os mesmos propósitos. Afinal, quem sou eu?


Sinopse (via Skoob)

Cartas anônimas começam a chegar à caixa de correio da menina Sofia. Elas trazem perguntas sobre a existência e o entendimento da realidade. Por meio de um thriller emocionante, Gaarder conta a história da filosofia, dos pré-socráticos aos pós-modernos, de maneira acessível a todas as idades.


Trecho do livro:

Um dos antigos filósofos gregos, que viveu há mais de dois mil anos, dizia que a filosofia consistia na capacidade de admiração do homem. Para ele, os homens achariam a vida algo tão único que as tais perguntas ocorreriam naturalmente.
É como quando presenciamos um truque de mágica: não conseguimos dizer como aquilo que vimos aconteceu. Então perguntamos: como pôde um mágico transformar um par de lenços de seda brancos num coelhinho vivo?
Para muitas pessoas, o mundo é tão incompreensível quanto o truque do mágico que tirou um coelhinho de uma cartola que estaria vazia.
No caso do coelhinho, sabemos que o mágico apenas nos iludiu. E é justamente porque ele conseguiu nos iludir que queremos descobrir como fez seu truque. Mas, quando nos referimos ao mundo, é um pouco diferente. Sabemos que o mundo não é um truque, nem uma ilusão, pois vivemos aqui e fazemos parte dele. No fundo, nós é que somos como o coelhinho que foi tirado da cartola. A diferença entre nós e o coelhinho branco é que ele não sabe que está participando de um número de mágica. Conosco é outra história. Temos consciência de que somos parte de algo misterioso e ansiamos por descobrir como tudo pode ser explicado.
PS. Quanto ao coelhinho branco, talvez seja melhor compará-lo ao universo inteiro. Nós que moramos aqui somos os bichinhos minúsculos que habitam a base da pelagem do coelho. Mas os filósofos tentam subir a partir dali até aponta dos pelos mais finos, a fim de poder encarar o mágico bem dentro dos olhos.
Você está acompanhando, Sofia? Vamos continuar.
[...] Quem teria trazido a carta? Quem? Quem?
Não poderia ser a mesma pessoa que enviara o cartão de aniversário para Hilde Moller Knag, pois o cartão tinha selo e carimbo. O envelope amarelo foi deixado diretamente na caixa de correio, do mesmo jeito que os dois envelopes brancos.

3 comentários:

  1. Adorei a capa mas não me interessei muito pelo o livro :/ Não achei muito um thrille e nem gostei muito da trama envolvida. Não sei se leria, quem sabe rs

    http://alguns-livros.blogspot.com.br/

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  2. Ah eu super amo esse livro <3 gostei da sua edição, é bem bonita!

    Um beijo
    http://escolhasliterarias.blogspot.com.br/

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  3. Foi um livro importante no final de minha adolescência.
    Não gostei, contudo, dessa nova capa. Achei legais as cartinhas que vc colocou na postagem.... rs
    kleitongoncalves.blogspot.com.br

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