21 de novembro de 2013

Leio ou não?: O Oceano no Fim do Caminho - Neil Gaiman



Autor: Neil Gaiman
Editora: Intrínseca
Gênero: Romance - Ficção
Páginas: 205 páginas.
Nota: ✰✰✰✰✰

Confesso que fiquei super ansiosa por saber do que se tratava o livro desde o momento que pude ter O Oceano no Fim do Caminho em mãos. Primeiro vamos constar: essa capa é linda, chama atenção demais. Certo, digamos que tenho uma queda por livros azuis e com água ou algo meio tenso (como uma menina se "afogando"). E segundo, capricharam no título. Além disso tudo a sinopse também chamou minha atenção. Ok, não pensei que o livro fosse totalmente de outra forma a não ser a qual se passava na minha mente. Mas me enganei, me enganei feio. 

“Eu me perguntei, como frequentemente me perguntava quando tinha aquela idade, quem eu era e o que exatamente estava olhando para o rosto no espelho. Se o rosto para o qual eu olhava não era eu, e sabia que não era, porque eu ainda seria eu não importava o que acontecesse ao meu rosto, então o que era? E o que estava olhando?"

O livro trás uma fábula que nos lembra a infância. Seu personagem principal é um homem de meia-idade que relembra sua história partindo dos princípios de onde viveu. Uma coisa legal na obra é que o personagem não recebe um nome, o que nos faz pensar que poderia ser qualquer um. Inclusive nós mesmos. Trás a tona as experiencias vividas quando crianças, os medos, as expectativas, o ponto de vista fictício, a imaginação, a pureza e tudo mais de uma criança de apenas sete anos. Não esperava tanta ficção em cima dessa obra do Neil Gaiman, esperei algo mais comum, uma situação real que poderia ser vivenciada. Mas não foi bem assim. Neil trouxe em O Oceano no Fim do Caminho juntamente com a história do protagonista as lembranças de uma família chamada Hempstock. Digamos que uma família um pouco incomum. Ele conheceu-as após um suicídio de um morador de aluguel da sua própria casa dentro do carro de seu pai. A partir daí virou amigo de Lettie Hempstock e nunca mais quis distanciar-se. A garota tem uma personalidade forte com apenas onze anos e foi um ponto que chamou minha atenção. 

“Adultos seguem caminhos. Crianças exploram. Os adultos ficam satisfeitos por seguir o mesmo trajeto, centenas de vezes, ou milhares: talvez nunca lhes ocorra pisar fora desses caminhos, rastejar por baixo dos rododendros, encontrar os vãos entre as cercas."
O garoto é apaixonado por livros e, embora não tenha vivido tantas experiências sabe como agir de forma correta em certas ocasiões e também tem uma percepção bastante ativa. E foi assim que ele percebeu que as coisas por ali não iam tão bem. Lettie e o garota passam por diversas situações inusitadas, coisas que mal podemos imaginar. O livro inteiro é um ponto de interrogação e mesmo ao fim se ergue mais um ponto desses. É impossível prever algo, a leitura é rápida e fluente, mas precisa de uma boa interpretação. Embora o livro tenha um contexto legal, cheio de fantasias, partes em que trás um certo medo... não é o tipo de livro que realmente me encantou. O suspense em cada capítulo é algo que gosto muito e, por sinal, teve. Mas sabe, ficou faltando algo.



Sinopse (via Skoob)

Foi há quarenta anos, agora ele lembra muito bem. Quando os tempos ficaram difíceis e os pais decidiram que o quarto do alto da escada, que antes era dele, passaria a receber hóspedes. Ele só tinha sete anos. Um dos inquilinos foi o minerador de opala. O homem que certa noite roubou o carro da família e, ali dentro, parado num caminho deserto, cometeu suicídio. O homem cujo ato desesperado despertou forças que jamais deveriam ter sido perturbadas. Forças que não são deste mundo. Um horror primordial, sem controle, que foi libertado e passou a tomar os sonhos e a realidade das pessoas, inclusive os do menino. Ele sabia que os adultos não conseguiriam — e não deveriam — compreender os eventos que se desdobravam tão perto de casa. Sua família, ingenuamente envolvida e usada na batalha, estava em perigo, e somente o menino era capaz de perceber isso. A responsabilidade inescapável de defender seus entes queridos fez com que ele recorresse à única salvação possível: as três mulheres que moravam no fim do caminho. O lugar onde ele viu seu primeiro oceano.



Trecho do livro:

- O bilhete diz que ele pegou todo o dinheiro que os amigos tinham lhe pedido que tirasse clandestinamente da África do Sul e depositasse num banco na Inglaterra para eles, e também tudo o que ganhou ao longo dos anos com a mineração de opalas, e foi até o cassino em Brighton, mas só pretendia apostar o que era dele. Depois ia mexer na quantia dos amigos só até recuperar o que havia perdido. - E completou: - E então ficou sem nada, e tudo era escuridão.
- Só que não foi isso que ele escreveu - disse Lettie, estreitando os olhos. - O que deixou escrito foi:
A todos os meus amigos, 
Sinto muito que nada tenha saído como planejei e espero que possam me perdoar, porque eu mesmo não consigo.
- Dá no mesmo - disse a mulher. Depois virou-se para mim: - Sou a mãe da Lettie - anunciou. - Você já deve ter conhecido a minha mãe, no galpão de ordenha. Sou a Sra. Hempstock, mas ela a Sra. Hempstock antes de mim, então agora ela é a velha sra. Hempstock. Esta é a Fazenda Hempstock. É a mais antiga das redondezas. Está no Domesday Book.
Fiquei me perguntando por que todas tinham o sobrenome Hempstock, aquelas mulheres, mas não perguntei, da mesma forma que nem ousei perguntar sobre o bilhete do suicídio ou o que o minerador de opala estava pensando ao morrer. Elas tratavam tudo aquilo com muita naturalidade.
- Dei uma forcinha para ele olhar no bolso do paletó. Vai parecer que a ideia foi dele - disse Lettie.
- Boa menina - elogiou a sra. Hempstock. - Eles chegarão aqui assim que a água da chaleira ferver para perguntar se eu vi algo fora do comum e para tomar o chá. Por que você não levar o menino até o lago?
- Não é um lago - corrigiu Lettie. - É o meu oceano. - E virou-se para mim dizendo: - Venha.
Ela me levou para fora da casa pelo mesmo caminho de antes.
O dia estava cinzento.
Contornamos a casa, caminhando pela trilha das vacas.
- É um oceano de verdade? - perguntei.
- Ah, é sim - respondeu ela.



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