30 de junho de 2015

Por uma vida sem amarras


No intelecto da minha mania por leitura, enquanto a chuva caía fina do lado oposto do vidro fosco da janela, descobri o porquê gosto tanto desse hábito. Os livros não me prendem, eles me libertam de alguma forma que nunca nada conseguiu. Sou pessoa de paciência vaga, nada que me prende me mantém por muito tempo. Dizem que faz parte do meio astrólogo do meu ser, mas demando a ideia de que mesmo os que não tem seus ascendentes em escorpião e nasceram sob as personalidades de um perfil aquariano conseguem ter identificação com o que digo.

Ao tomar meu doce café numa padaria de esquina, num dia de semana qualquer, ouvi uma conversa em casal, supostamente pareciam estar se conhecendo. Ela tinha um espírito forte, uma personalidade marcante e um sorriso capaz de iluminar um dia sem sol e ele parecia entorpecido numa casca que esqueceu de trocar de estação. Ouvi ela perguntar sobre o jeito de falar meio encabulado do rapaz com um sorriso de canto a canto, e o ouvi responder na maior simplicidade que só falava assim por medo do que ela viesse a pensar sobre ele. Ela sorriu achando bonitinho e eu passei a odiá-la naquele momento por não ter levantado da cadeira e dado as costas àquele mísero fantoche da vida.

Em um jogo de conquista é fácil querer mostrar o lado bom, mas a vida não é um jogo e somos mais que palavras trancafiadas por medo de mostrar a cara da nossa verdadeira essência. Sou firme na opinião de que devemos gostar do verdadeiro, não da fantasia que criamos e vemos sendo criada por aí. Descobri ainda naquele dia que não suportava uma vida de amarras, me achei exigente demais num mundo tão peculiar. Nada que prende agrada por muito tempo, pássaros em gaiolas são extremo sinal da tristeza avaliada em uma sinapse da vida. O mundo não é uma gaiola, mas a gente complica e acha que a zona de conforto é realmente viver inundando o corpo num oceano de mentiras. Não pensamos em quão profundo podemos chegar mentindo para nós mesmos. 

Estou cansada de amarras, estou cansada de gente que finge ser o que não é e dessa martirização mundial. Cansada e deprimida com pessoas que dizem "sim" por medo de dizer "não", de gente que rotula até o posto da esquina para o próximo sentir culpa de abastecer o carro com um diesel poluído. Poluída é a cabeça de quem se prende aos caprichos dos ignorantes, idiotas são os que se amarram nas mentiras podres da sociedade. Mantenho o pensamento firme naqueles que lutam contra as enxurradas de pré-conceitos difamados, mantenho a fé em quem aceita sua essência e vivo ansiando por gente que busca incansavelmente uma vida livre de amarras. 

- Gabrielle Roveda

6 comentários:

  1. Cara, que texto lindo! Eu me vi em todo o texto, parabéns *-* sou assim também. "Ela sorriu achando bonitinho e eu passei a odiá-la naquele momento por não ter levantado da cadeira e dado as costas àquele mísero fantoche da vida." Nessa parte, eu também levantaria e sairía andando u_u, um cara que não sabe ser o que realmente é não fico por muito tempo ao seu lado...
    -
    Caroline Guccione

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    1. Obrigada flor! Que linda! ♥
      Nem fala, de pessoas sem personalidade própria o mundo está cheio... cansa né?

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  2. Oii Gabrielle! Acabei de conhecer o teu blog e estou apaixonada! Ja te adicionei no meu "reader". Muito bom seu blog! Beijinhos.

    www.verdadeescrita.com =)

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  3. Nossa que texto incrível! O texto já me ganhou logo no início, me identifiquei muito nesse texto, mas o que eu achei mais a minha cara foi quando você fala: "Os livros não me prendem, eles me libertam de alguma forma que nunca nada conseguiu." Parece até que fui eu quem escrevi, tenho uma paixão muito grande pela leitura e pela sensação que ela proporciona.
    Parabéns pelo texto Gabi! Beijos!
    Eu Suponho




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    1. Que linda, obrigada! ♥
      Os livros são objetos que merecem ser amados, não é? ♥

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