6 de julho de 2015

[642 coisas] Eu não me arrependo


Eu não me arrependo das coisas que fiz e nem das que deixei de fazer. Não me arrependo de quem eu me tornei e nem do que já fui. Também não me arrependo do que deixei passar por algum motivo ou das prioridades em que me agarrei. Não há arrependimentos pelas decisões que foram tomadas, pelos choros derramados e pelos sorrisos que já foram dados. Não, eu não me arrependo de ter derramado tantas lágrimas quando a dor era sufocante, de ter passado noites em claro ouvindo o barulho incessante da chuva e de temer o barulho dos trovões na madrugada. Não me arrependo das dores que me arrancaram a vontade de seguir em frente, não me arrependo porque se não fosse por todas essas lágrimas eu não saberia até quanto poderia aguentar.

Não me culpo por ter pego uma gripe depois de passar uma noite de inverno vagando sobre a areia da praia só para ouvir o barulho das ondas no mar e admirar um céu de poucas estrelas e muitas nuvens. Não me arrependo dos beijos que roubei, dos amores que me deixei apegar e das pessoas que um dia estive por perto. Não me arrependo de ter doado meu coração como quem assina a sentença antes da morte, nem de deixá-lo ser despedaçado várias vezes. Não, não me arrependo de tê-lo hoje em pedacinhos colados com uma mísera fita durex. Eu aprendi com esses poucos amores que sempre tem como reconstruir o que foi quebrado, que por mais que nunca vá ficar igual a gente acaba sempre o colocando à prova de fogo de novo. Meu coração remendado é a prova que eu nunca desisti do amor.

Não me arrependo dos tombos de bicicleta, dos curativos no tornozelo e nem daquela enorme cicatriz que ficou no joelho. Não me arrependo das marcas que percorrem meu corpo, nem daquela vez que um violão pendurado na parede deixou meu rosto em sangue puro. É, não me arrependo de rir da minha cara logo depois da dor de cabeça que ele causou e nem da cara apavorada em pensar que um machucado no rosto seria o fim do mundo. Não me arrependo das minhas cicatrizes, dos meus hematomas e das minhas histórias bizarras, eu tenho é orgulho de ter o que contar.

Não me arrependo de ganhar um beijo de boa noite todos os dias dos meus pais aos dezoito anos e nem de dizer precipitada o quanto eu amo alguém. Não me arrependo de deixar bilhetes de bom dia em baixo de xícaras de café logo de manhã e muito menos das inúmeras cartas que já escrevi dizendo tudo o que sentia. Não me culpo pelos meus erros, nem me vanglorio por todos os acertos. Não guardo arrependimentos do que já fui, pois aquilo me tornou quem eu sou. Se tem uma coisa que eu aprendi vivendo é que o amor só transparece quando vem de dentro e para vir de dentro é preciso primeiro guardar um cantinho dele para si mesmo. Não me arrependo da vida que vivi, das consequências que passei, dos tombos que levei, das dores que sofri, das atitudes que tomei e dos amores que vivi pois se um dia eu me arrepender de algo, vai ser de ter me arrependido. 

- Gabrielle Roveda

** Texto baseado no item 210 do projeto 642 coisas sobre as quais escrever.**

2 comentários:

  1. A melhor coisa do mundo é poder olhar para trás e não se arrepender de nada. Sempre digo que é melhor ter feito algo do que ter ficado na vontade e, mesmo que algumas coisas tenham tido um resultado ruim, pelo menos você tentou. Adorei ♥

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    1. Concordo plenamente. Afinal, se a vida fosse só de coisas boas e acertos, que graça ela teria? Quem a gente seria? ♥

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