25 de julho de 2015

Carta à um Caderno Mágico


Querido Caderno Mágico,

Não seria humilde ao extremo dizendo que jamais gostaria de lhe escrever algo, mas sei que em alguma etapa da minha vida desejaria seus dotes mágicos de tornar tudo real.  Em outras épocas eu até pediria um simples unicórnio e uma visita ao País das Maravilhas, talvez iria um pouco além pedindo a reencarnação da minha pequena tartaruga Manoelita (sim, como a do filme) ou de entes queridos que já se foram. Quem sabe, por algum motivo besta, eu lhe recordasse do quanto era feliz com o coração inteiro e lhe pedisse de volta um coração sem remendos. Poderia ir mais longe e resgatar um amor de ensino médio que partiu sem mais nem menos, mas quero que entenda, sou tudo o que sou pelas marcas que deixei. 

Não subestimo seu poder de outro mundo, onde é só saber escrever um pouco e num passe de mágica ter os desejos mais malucos realizados. Eu poderia lhe escrever que ganhei um milhão de reais ou que fiquei rica da noite para o dia, mas sabe, eu preferiria escrever que lutei muito e consegui o que merecia. Não acho que seria de total desprezo na minha vida sua fabulosa magia de ver o mundo realizado. Eu escreveria, quem sabe, que o mundo poderia ser mais justo e não haver fome em nenhum cantinho. Criaria uma forma de extinguir as doenças que tanto desperdiçam vidas, salvaria os animais e plantas da extinção e criaria um senso extra de solidariedade em cada ser humano. Eu não mudaria a minha vida em si se um dia me pusesse a escrever em suas páginas brancas. 

Eu teria medo de sequer colocar um ponto final num caderno como você. Desculpe tanta sinceridade, mas eu teria medo de mudar algum fato e alterar todo um futuro que mesmo que eu viesse a moldar seria extremamente chato. Eu não gostaria de ser a pessoa que domina tudo o que acontece comigo, gosto de ser autora da minha própria história, mas gosto disso de um jeito diferente. Ser autora sem ordenar tudo sobre tudo, de um jeito que saiba se virar com as dificuldades e não apagá-las com a borracha e limpar o caminho. A vida é complicada, ninguém nunca nos disse que tudo seria fácil mas precisamos de jogo de cintura para vencer os obstáculos postos no caminho. 

Eu adoraria criar um mundo onde tudo é do meu jeitinho, com certeza, mas já veio fazendo isso na imaginação. E tanta gente tem seus Cadernos Mágicos por aí, nós mesmos acabamos lendo eles de vez em quando. Alguns viram best-sellers e nós sequer desconfiamos. Entenda, não é uma crítica ou um desprezo total, Eu juro que farei bom proveito de você nesses anos que me restam de dificuldades e orgulhos, prometo criar um mundinho só nosso sem espaço para coisas ruins. E com pedras de chocolate ou muros de marshmallows ao invés de coisas tão difíceis de ultrapassar. Perdoe minhas mania chatas de querer viver a realidade da forma que é, mas eu prefiro a magia guardada quentinha no bolso da imaginação. 

Com amor,
Gabrielle Roveda.

** Post baseado no tema de Julho do grupo +QP Mais que Palavras**

2 comentários:

  1. Eu gosto muito do que você escreve, suas palavras soam tão bonitas, como se já estivessem lá o tempo todo e só faltava alguém para escrevê-las, e você o fez. Desejo que seu blog cresça muito, porque vc tem muito talento e merece. Ótimo texto, Gabi. PS: eu amava o filme da Tartaruga Manuelita

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    1. Mds, que linda! Muito obrigada, de coração ♥
      Assisti muitas e muitas vezes o filme, era fã!

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