8 de julho de 2015

Vivendo em meus labirintos


Sempre fui fã de labirintos, não tenho certeza mas acho que tem haver com meu gosto irremediável por mistério ou pela obsessão secreta em querer ir parar no tal país criado por Charles Lutwidge Dodgson, mais conhecidos como País das Maravilhas e Lewis Carroll. Não sou adepta ao simples, ao normal, sou adepta ao complexo, ao diferente. Ao louco como diria o Chapeleiro. Talvez seja assim, tão fã de labirintos, pois aos quatro anos incompletos a personagem Alice tenha me levado aos quatro cantos de seu mundo e me deixado com o gostinho de criança prodígio por ter aprendido a ler e escrever histórias nessa idade nos anos 90.

Crianças prodígios em sã loucura acabam se tornando adultos um pouco diferentes. Não tive amigos imaginários, não que eu lembre. Tive um universo paralelo inteiro só para mim e conto-lhes um segredo: viajo muito para lá ainda. Meus labirintos imaginários me tiram de um mundo onde tudo é medido, tudo é rotulado e tudo é sem graça. Me levam para um cenário fictício onde sou quem eu quero ser, onde faço o que eu não posso fazer. Me perder nos meus labirintos é me encontrar na vida. Parece coisa de louco mas não seria diferente já que minha história preferida condiz. E afinal, as melhores pessoas tem um pouco de loucura. 

Viver em meus labirintos é como entrar em uma nova era sozinha, como conhecer o futuro sem saber ao certo se é mesmo ele. É relembrar o passado sorrindo, é quase como conquistar um novo espaço, descobrir que posso mais sempre. É imaginar coisas novas e fazer descobertas, é criar o que não foi criado e levar para a realidade. É sonhar sem querer manter os pés no chão e se sentir realizada sem ser iludida. Viver em meus labirintos é tomar chá com um bando de gente maluca, dividir doces com animais e ir atrás de coelhos brancos que acham que o tempo corre rápido demais. É cair em buracos e descobrir portas que podem te levar aos lugares mais inusitados. Encontrar chaves para fechaduras erradas e abrir um horizonte novo em cada tentativa. É beber de um líquido amargo e se tornar o maior que consegue ser, é provar de algum cogumelo estranho e se sentir tão pequena quanto uma formiga e viajar entre flores e folhas descobrindo um mundo ainda mais imenso. 

Viver em meus labirintos é descobrir que uma criança pode levar a infância para o resto da vida e não virar um adulto problemático. Viver num mundo de maravilhas, coisas doces, animais que falam, personagens estranhos e obstáculos superáveis é levar a essência doce do passado para o resto da vida. É soltar a imaginação e se deixar dominar pela criatividade do ser. Não sou um adulto prodígio, mas levo comigo a criança extremamente inteligente e esperta que já fui. Tenho em mim toda a doçura que foi tirada de muitos, tenho em mim o amor pela vida e pela descoberta de novos caminhos, tenho em mim o sorriso e a lágrima inocente. Pois posso dizer que meus labirintos me libertam do excesso de imposição de maturidade que a sociedade dita tanto. Eu serei, para sempre, uma Alice mergulhada em imaginação e criatividade num mundo inocente tão complexo e infantil. 

- Gabrielle Roveda
** Texto baseado no tema do mês de Julho do grupo Rotaroots.**

6 comentários:

  1. COM TODA CERTEZA as melhores pessoas tem um pouco de loucura! E essa coisa de nunca perder a essência jovial é algo que prezo muito também. É sempre bom tirar um tempinho pra sonhar, nem que seja com o impossível, não importa, mas essas coisas trazem um alívio pro nosso coração! Acho até que nos ajuda a enfrentar essa tal de vida adulta com que a gente tanto sonhava, mas que na real é chata pra cacildes!

    Beijão =**

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    1. Sem loucura as coisas ficam muito chatas, é legal saber dividir as coisas. Realmente devemos ter um pouco maluquice na cabeça ♥

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  2. Miga, que texto incrível. Até agora foi o melhor que vi sobre o tema (também sou do Rotaroots) Amei, amei demais.
    A sua escrita <3 E cara, pessoas meio malucas são as melhores. Penso muito como você. Beijos, e lindo blog.

    www.marisoek.com

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    1. Obrigada mesmo flor! ♥
      São sim, ser normal é muito chato! hahaha

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  3. UAU!

    Sinceramente, um dos melhores textos que li no Rota *_*
    Loucura sempre cai bem, não é??? Não é ÀS VEZES, mas SEMPRE.

    Amei ao infinito e me deu vontade de ser sua amiga :)

    Beijos

    Jess
    www.lefashionastique.com

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    1. Awn, obrigada flor! ♥
      Loucura deveria ser ingrediente da vida. Então seja minha amiga, ué! haha ♥

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