11 de agosto de 2015

Papo Sério: Quando a estética vira doença

É comum em uma época onde a imagem perfeita se tornou objetivo a ser alcançado as doenças ligadas a estética se multiplicarem. Quem nunca olhou no espelho e se incomodou com um pouco de gordura no braço, achou o nariz grande demais ou odiou o próprio sorriso? Em algum momento vamos cansar daquela imagem que vemos sempre e acabamos encontrando defeitos que, muitas vezes, o mundo nem nota. A busca pela estética perfeita vem crescendo cada vez mais, mesmo a sociedade sendo antenada por milhares de projetos mostrando que o que vemos nas revistas não é o que a realidade mostra. Não existe um padrão para a vida, temos que ser quem nos permitimos ser.

Ninguém ditou que sua cintura tem que medir no máximo 65cm e que seu peso tem que estar nos conformes. Se você gosta da sua cintura finíssima ou das dobrinhas do seu corpo, continue vivendo sem se importar se vão chamar você de Olívia Palito ou Baleia Orca, você sabe quem é e não são pequenos comentários ridículos que vão arrancar essa essência. Trabalho com meu corpo e tenho que me manter nas medidas por meio profissional e essa preocupação excessiva com medidas é por mera escolha minha. Digo que escolhi chegar à um ponto onde não prejudique minha saúde, nem física, nem mental. Sei dos meus limites e do que preciso fazer para chegar até meus objetivos. Se você busca emagrecer, faz seus exercícios físicos e tem uma alimentação adequada e saudável, parabéns. Mas por favor, não comece a entrar na onda compulsiva das doenças que envolvem a estética, jogue para longe as histórias de anorexia e bulimia por aí. E se você quer engordar, digo o mesmo, não comprometa sua saúde por um desejo estético. 

Vou ser sincera com vocês, nunca fui feliz com meu corpo. Fui uma criança complexada, seja pelo cabelo que não era tão bonito, meu sorriso meio torto e pelo principal que mais me incomodava, meu corpo que passou a ser mais cheinho depois de uma pneumonia de quase 40 dias no hospital. Por causa de medicamentos meu corpo foi alterado aos poucos e acabei engordando, virei motivo de piadas pelas pessoas e sabem o que uma criança nessa situação faz? Se exclui, foi o que eu fiz. Minha genética não me deixa engordar, então daquele tempo até hoje em dia sempre me mantive num peso considerado normal. Mas, não fui feliz com meu corpo desde aquela época onde, por incrível que pareça, fui descobrir o peso que uma estética imperfeita faria na minha mente. Cresci com bastante complexo e minha mania mais infeliz era ignorar todo e qualquer reflexo meu por onde eu ia. Fiz minhas besteiras para emagrecer, parei de comer, fiquei fraca, me recolhi no meu canto e no fim, abri meus olhos para o que eu vinha fazendo comigo. 

Descobri que meu sorriso era lindo e que o aparelho dental que havia colocado e permanecido por uns 8 anos tinham mudado os poucos defeitos que eu encontrei. Meu cabelo virou meu amorzinho e meu corpo não tinha mais tanta importância. Enxerguei as pessoas que me amavam com outros olhos e descobri que para elas não importava o tamanho do meu quadril e sim, quem eu era. Foi aí que aprendi a dar valor para a pessoa que eu sou. E quando eu abri os olhos para os meus reflexos nos espelhos e passei a me amar em frente às câmeras meu futuro me encontrou. Hoje sou modelo e se tenho que perder medidas é por ter meu corpo como objeto de trabalho, não mais por não aceitar quem eu sou. 

Descobri que nem tudo o que enxergamos é o que realmente é. Admito que meu passado vai permanecer comigo até o fim e as dores dos anos que passaram vão ser lembradas, mas o que o futuro me reserva faz meu sorriso reluzir. Então, por favor, não caiam nessa de que a estética é o mais importante. Se quiser melhorar sua aparência, vai firme, mas antes de querer aperfeiçoar seu exterior, faz uma limpeza geral no seu interior e descobre quem você é de verdade. Ah, sem esquecer que perfeição é um adjetivo nulo no seu dicionário. Enxergue sua essência e a estética é consequência. 

6 comentários:

  1. Nossa seu texto me fez lembrar de tanta coisa, também fui uma criança/adolescente complexada, tive até alguns distúrbios bem sérios por não me aceitar fisicamente. Não foi fácil aceitar que meu corpo não era igual a das outras pessoas, e que isso não tem problema algum.
    Parabéns pelo texto e o principal por amar a Gabrielle de agora.
    Beijos
    ♥ Te Conto Poesia

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    1. Acho que metade dos adolescentes passam por algo assim, que bom que nos recuperamos! Obrigada Cami ♥

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  2. Que texto maravilhoso, Gabi. De verdade, me emocionou. Tenho distúrbios alimentares que oscilam entre Ana/Mia e comer compulsivamente de tempos em tempos. Por alguns meses perco quilos e medidas absurdamente, e em outros engordo tudo outra vez. Acho que é ansiedade. Eu entendo cada linha que disse. É um mundo complicado esse que vivemos, cheio de padrões, normas e regras sociais. Embora a gente saiba exatamente o que fazer para ser saudável/feliz/tudo mais, é difícil por em prática. É uma luta diária, mas vale a pena. Obrigada mesmo pelas palavras, eu estava precisando.
    Mais uma vez: Amo o seu blog, não desista nunca <3
    Um beijo!

    Café de beira de estrada

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    1. Obrigada flor! Já tive distúrbios com o Ana/Mia, parei de comer por semanas e praticamente vivi de água só, fiz coisas doidas para tentar me encaixar em padrões, foi horrível. Não me arrependo do meu passado, tenho orgulho do que essas dores me tornaram, hoje eu abro os olhos para muitas coisas. Nossa sociedade é infeliz consigo mesma por isso vive ditando padrões, aprendi a me amar mais do jeito que sou e por isso deixei essa coisa toda de lado. Tão bom saber que o texto lhe foi útil. Obrigada mesmo, não desistirei! ♥

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  3. Oiii! Cara to aplaudindo de pe o teu texto! Super parabens! E' isso mesmo, temos que parar com essa mania de nos encaixarmos no padrao dos outros. Temos que encarar o espelho orgulhosas e seguir em frente. E nao deveria ser dificil ne? Mas... =) Beijinhos.

    http://www.verdadeescrita.com/o-dia-em-que-eu-cansei-de-viver-de-passado/

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    1. Awn, obrigada florzinha! ♥
      Temos mesmo que parar de achar que tudo é aparências, somos muito mais que o reflexo do espelho! ♥

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