19 de janeiro de 2016

Leio ou não?: O Palácio da Meia-Noite - Carlos Ruiz Zafón

Autor: Carlos Ruiz Zafón
Editora: Suma de Letras
Gênero: Suspense - Romance
Páginas:  271 páginas.
Nota: ✰✰✰✰✰

Quem acompanha o blog sabe o quanto não me desapego do excelentíssimo Zafón, diga-se de passagem (mais uma vez): sou apaixonada pelo autor, completamente apaixonada. E para não contrariar minhas esperanças, O Palácio da Meia-Noite conseguiu passar exatamente aquilo que deveria. Confesso de antemão que não é a minha obra preferida do autor, mas depois de ler Marina, As Luzes de Setembro e O Príncipe da Névoa, o livro tem um espaço garantido nos preferidos. Como eu disse Zafón não me decepcionou, na verdade, dentro do que já esperava eu meio que me surpreendi.
"[...] Maturidade nada mais é que o processo de descobrir que tudo aquilo em que você acreditava quando era jovem é falso, e que, por outro lado, tudo o que rejeitava na juventude é verdadeiro. E você, quando pretende amadurecer, meu filho?"
Quem já leu mais de um livro do Zafón ou mesmo apenas ouviu falar de uma das manias do autor sabe que um livro sempre lembra muito o outro, seja por personagens de mesma idade, cenários parecidos, sombras, gatos pretos ou apenas os personagens que de alguma forma seguem uma linha igualitária. Quando li As Luzes de Setembro e O Príncipe da Névoa, juro que ao finalizar o segundo livro confundi totalmente as duas histórias, porém, eis algo que não ocorreu com o terceiro livro lido que envolve essa série. Em O Palácio da Meia-Noite mais uma vez os protagonistas são jovens e Zafón trás um garoto e uma garota com uma história de arrepiar o leitor. Os vilões mostram seus dois lados perfeitamente elaborados e com tais semelhanças que o autor sempre costuma abordar em suas obras, para quem gosta de um suspense delicado e aos amantes do ilustre autor, O Palácio da Meia-Noite não pode ficar fora das leituras obrigatórias. 
"A diferença entre um crime e uma façanha costuma depender da perspectiva do observador, Ben. "
O Palácio da Meia-Noite conta a história de dois jovens que foram abandonados por um motivo peculiar na noite mórbida de Calcutá, um deixado num orfanato e o outro aos cuidados da avó, Aryami Bosé, até que aos 16 anos os dois se reencontram. No orfanato conta-se a história de Ben, um garoto como qualquer outro, mas super esperto e com uma história aterrorizante demais até para ele que o mesmo não tem conhecimento sobre. No orfanato, Ben e mais 6 órfãos montam a Chowbar Society, um grupo que se reúne no Palácio da Meia-Noite e tem como lema se ajudar sempre, independente do que aconteça. Ao completar 16 anos, os membros da Chowbar estão livres para o mundo e nesse momento mal sabem que a vida de um deles, Ben, esta destinada a mudar para sempre e é nesse enlace todo que conhecem Sheere e descobrem coisas que jamais pensaram que existiria e pessoas (ou espectros) que podem aterrorizar até mesmo os nossos sonos mais pesados.

Sinopse (via skoob):
Ben e Sheere são irmãos gêmeos cujos caminhos se separaram logo após o nascimento: ele passou a infância num orfanato, enquanto ela seguiu uma vida errante junto à avó, Aryami Bosé. Os dois se reencontram quando estão prestes a completar 16 anos. Junto com o grupo Chowbar Society, formado por Ben e outros seis órfãos e que se reúnem no Palácio da Meia-Noite, Ben e Sheere embarcam numa arriscada investigação para solucionar o mistério de sua trágica história. Uma idosa lhes fala do passado: um terrível acidente numa estação ferroviária, um pássaro de fogo e a maldição que ameaça destruí-los. Os meninos acabam chegando até as ruínas da velha estação ferroviária de Jheeters Gate, onde enfrentam o temível pássaro. Cada um deles será marcado pela maior aventura de sua vida. Publicado originalmente em 1994, O Palácio da Meia-Noite segundo romance do fenômeno espanhol Carlos Ruiz Zafón traz uma narrativa repleta de fantasia e mistério sobre coragem e amizade. 
Trecho do livro:
    "[...] - A chuva logo vai parar, Mr. Carter - respondeu Jawahal. - De todo modo, muito obrigado. Precisa como um relógio, Vendela estava esperando o fim da entrevista no corredor e escoltou o visitante até a saída. Da janela de seu gabinete, Carter contemplou aquela silhueta negra se afastando sob a chuva até vê-la desaparecer ao pé da colina por entre as vielas. Permaneceu ali, diante de sua janela, com o olhar fixo no Raj Bhawan, a sede do governo. Minutos depois, tal como Jawahal tinha previsto, a chuva parou.
        Thomas Carter serviu outra xícara de chá, sentou em sua poltrona e ficou contemplando a cidade. Tinha sido criado num lugar semelhante àquele que dirigia agora, nas ruas de Liverpool. Entre os muros daquela instituição tinha aprendido três coisas que governariam o resto de sua vida: apreciar o valor das coisas materiais em sua justa medida, amar os clássicos e, em último lugar, mas não menos importante, reconhecer um mentiroso a uma milha de distância
        Saboreou o chá sem pressa e resolveu começar a comemorar seu quinquagésimo aniversário, visto que Calcutá ainda tinha surpresas reservadas para ele. Aproximou-se do armarinho envidraçado e tirou uma caixa de charutos que guardava para as ocasiões memoráveis. Com um longo fósforo, acendeu o valioso exemplar com toda a calma que o cerimonial exigia.
        Em seguida, aproveitando a chama providencial do fósforo, tirou a carta de Aryami Bosé da gaveta da escrivaninha e tocou fogo. Enquanto o pergaminho se reduzia a cinzas numa pequena bandeja com as iniciais do St. Patrick’s, Carter deleitava-se com o tabaco e, em homenagem a um de seus ídolos de juventude, Benjamin Franklin, resolveu que o novo inquilino do orfanato St. Patrick’s cresceria com o nome de Ben e que ele pessoalmente faria tudo o que pudesse para que o menino encontrasse entre aquelas quatro paredes a família que o destino tinha lhe roubado. [,,,]"


4 comentários:

  1. Ooooooi!

    Quanto tempo, minha flor! Saudades. Lembra de mim? Eu era blogueira do Escolhas Literárias, mas infelizmente precisei abandonar o blog, tem mais de dois anos. Faculdade, problemas, você sabe né? Acabei tão enrolada que mal entrava na blogosfera, nem como leitora. Mas agora que consegui voltar, fiz questão de ir lá na lista de blogs que costumava seguir pra fazer uma “limpeza” daqueles que não estão mais ativos, e pra dar um oi naqueles que ainda estão, e avisar que estou com um cantinho novo e adoraria se você pudesse dar uma passadinha por lá!

    Sobre sua resenha... Não me mate flor, mas juro que não tenho no meu corpo um pingo de vontade de ler qualquer um dos livros do Zafón. Sei lá, não parecem muito meu estilo. Mesmo quando eu leio uma resenha de alguém tão apaixonada pelo autor como você, eu olho é penso “ok, é um bom livro, mas não é pra mim”.

    Beijinhos, te aguardo lá no: http://amendoasefelpices.blogspot.com.br/

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    1. Amanda, quanto tempo! Claro que lembro de você! ♥
      Fazer o quê, tem livros que são feitos pra gente, outros não são de jeito nenhum.
      Beijão! ♥

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  2. Adorei! Eu nunca li nada do Zafón, mas essa perspectiva que você teve do livro e a sinopse instigante me convenceram realmente. Vou ler as outras resenhas que você fez de outros livros do autor, porque parece muito com o estilo que eu gosto de ler.

    Tá rolando uma pesquisa de público lá no Quinta Gaveta! Sua opinião é muito importante pra gente.
    Beijo, Selma Barbosa | Quinta Gaveta

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    Respostas
    1. São ótimos livros para quem gosta de uma temática mais cheia de suspense juvenil. ♥

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