16 de fevereiro de 2016

Leio ou não?: Fora de mim - Martha Medeiros

Autor: Martha Medeiros
Editora: Alfaguara
Gênero: Romance
Páginas:  120 páginas.
Nota: ✰✰✰✰

Martha Medeiros, tal como Tati Bernardi, Clarice Lispector e Caio Fernando Abreu fizeram parte do meu mundo escondido chamado tumblr. Foi lá que fui apresentada às frases conhecidas que pulam de linha do tempo em linha do tempo por aí. Assim como de todos esses outros autores, nunca tinha lido nenhum livro de Martha Medeiros, eis que me deparo com uma mulher que mesmo sem saber das coisas que acontecem em nossa vida consegue fazer com que nos encaixemos perfeitamente em seus escritos. Eu, que moro tão pertinho dessa escritora gaúcha, nunca tinha me dado ao luxo de ler uma de suas obras hoje me arrependo por não ter lido antes. Mesmo que contrariando meus próprios pensamentos ache que o livro Fora de Mim tenha caído em minhas mãos no momento em que tinha que cair. Antes tarde do que nunca, não é mesmo?
"Em que momento o amor se desfaz? Desaparece?"
O livro conta a história de uma mulher anônima que termina um relacionamento intenso e que passa a se reinventar e buscar a superação, por esse fato o livro parece ser a história da autora (não sei se não é ou é). Tem certos momentos que a leitura vira uma conversa e a imaginação cria uma voz e essa voz parece ser a Martha Medeiros narrando suas vivências no seu ouvido. Digamos que nunca tinha lido um livro como esse: é narrado em primeira pessoa como se fosse uma carta, ou seja, a personagem escreve não para o leitor, mas para um "você" que se remete ao ex-amor da própria personagem. O livro se parece realmente com uma longa carta de 120 páginas à alguém que precisava e não precisava saber do que se trata. Digamos que é um desabafo voltado ao ex-amor da personagem, mas que não é uma carta, embora pareça. Acho que confundi tudo.
"Mas, com sorte, talvez eu consiga aceitar que no amor não existe moral da história, enfim."
Enfim, avaliando certos pontos a leitura pode ser cansativa, o livro tem apenas 3 capítulos super longos com pequenas pausas na reflexão da personagem. Embora pareça uma longa crônica, daquelas que a gente costuma ler em 4 ou 5 páginas, é uma leitura que realmente vale a pena para quem já conheceu o amor e o desamor. É impossível não se encaixar em alguma frase, algum parágrafo. A autora, de uma forma inacreditável, consegue entender aqueles sentimentos que a gente mais fica caducando em cima, aqueles sentimentos que ficam no fundinho aprisionados e não temos coragem de nos libertar. É uma leitura bastante madura e por esse fato também é de tirar o fôlego.
Sinopse (via Skoob):
Uma mulher se entrega de corpo e alma a uma paixão irresistível e perigosa, mesmo sabendo que, cedo ou tarde, o fim irá chegar. O término, apesar de esperado, é devastador, muito mais forte que o sentimento que um dia uniu o casal. Em Fora de mim, um romance vibrante e verdadeiro, Martha Medeiros narra, em três fases distintas, o sacrifício de uma mulher para reaprender a viver após a dolorosa separação. 
Trecho do livro:
"[...] Você não ligaria no dia seguinte, era domingo, fui até a cozinha lavar a louça, mas não havia louça para lavar, o combinado era jantarmos fora na noite anterior, não jantamos, ninguém se alimentou, quanto tempo faz desde aquela noite, parece um século, foi ontem. Decidi seguir a rotina: o que eu fazia aos domingos de manhã? Eu caminhava, eu ia ao parque, então caminharei, mas falta você, coloquei o tênis, saí a pé de casa, falta você e não falta, o estrondo está diminuindo, o barulho cessou, será que eu já percebo o acidente? Dou uma volta no parque, duas voltas, três voltas, você não virá aqui me ver? Volto. Telefono pra minha mãe, não telefono pra você, conto pra ela que acabamos, meu relato é muito coerente, ela lamenta mais ou menos, já ouviu eu contar essa história antes, somos reincidentes em finais, mas agora é pra valer, quem me acredita? Eu não me acredito, mas agora não te quero mesmo, e eu já ouvi isso antes, de você, de mim, agora não tem mais volta -dei tantas voltas no parque, é tão ridículo caminhar pra lugar nenhum, para quem vou ficar magra e saudável? E voltei a dizer: não, mãe, acabou de verdade, e pela primeira vez reparei em minha voz tremida, pela primeira vez naquele domingo eu fraquejei, as palavras saíram entrecortadas, eu catava as sílabas que me fugiam, e ela do outro lado da linha fingia que não doía nela também. [...]"

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