31 de março de 2016

O amor é um empréstimo sem juros

É tudo uma questão de se entregar sem querer nada em troca, não descaradamente pelo menos. Quando a gente ama é tudo meio emprestado, começa com uma caneta e logo já pula para o celular, depois é só procurar no guarda-roupa e aquela camisa velha que não é sua, mas marca território nas prateleiras aos fins de semana, com certeza estará lá. 

Sabe, o amor é meio cafona mesmo, tão bobinho que parece bonitinho para quem olha de fora. O que os espectadores não enxergam é nosso humilde e confuso bastidor. É ali, atrás das cortinas que a coisa toda realmente acontece, sem pedir licença, quietinha e disfarçada. 

Amar é emprestar. Primeiro seu livro preferido, aí o agasalho, só então o guarda-chuva e no fim mais emprestamos que devolvemos. Amar é esquecer de devolver, é uma forma meio estranha de se endividar de sensações. E de tanto se endividar a gente vai perdendo a noção, se perdendo na contabilidade das lembranças, dos momentos. Quando a gente vê já cedeu um sorriso aqui, um abraço ali e no fim acabou deixando o coração por lá também. Assim, só com aquelas boas intenções do início.

Essa coisa toda é traiçoeira, é só se deixar levar que a correnteza não te deixa mais voltar. Você é engolido pela maré forte e se delicia com a água salgada porque não vê mal nisso. E não há, não quando se pede emprestado um pouquinho do outro e ele vem com uma proposta maior do que a esperada. Amor é um negócio estranho, é um empréstimo sem juros. O tipo de acordo que se fecha sem querer nada em troca, mas que mesmo assim é cheio de benefícios. 

Uma hora ou outra a gente percebe que mesmo tendo se doado demais e recebido de menos, quem, na verdade, sai ganhando é realmente quem emprestou todos aqueles sorrisos e trocas singulares de afeto. Sabe por quê? Esse tipo de empréstimo diz na clausura, bem escondidinho no meio daquela papelada que você nem se deu ao trabalho de ler, que aquilo que ficou é a única devolução que você realmente iria querer. 

4 comentários:

  1. Nossa Gabi,eu amei demais <3
    Tão lindo,o amor tem que ser assim mesmo,se doar,emprestar,sem pedir devolução,porque aí é que nosso saldo vira positivo :D
    Meu trecho preferido:"Amar é esquecer de devolver, é uma forma meio estranha de se endividar de sensações. E de tanto se endividar a gente vai perdendo a noção, se perdendo na contabilidade das lembranças, dos momentos."
    Arrasou :D
    Beijos ^.^

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    1. Awn, muito obrigada Jennyfer! Que bom que gostou ♥

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  2. Gente que texto é esse? Tão lindo, tão real, tão verdadeiro. Não tinha visto alguém definir o amor assim. Ao olhar pro meu casamento, vi muito de tudo isso que vc falou: é sem juros, mesmo!
    Beijos e parabéns pelo texto!

    Querido Deus,obg por me exportar!

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    1. Fico muito feliz que tenha se identificado de alguma forma e mais ainda por ter gostado! ♥

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