20 de junho de 2016

Leio ou não?: Alucinadamente Feliz - Jenny Lawson

Autor: Jenny Lawson
Editora: Intrínseca
Gênero: Auto-ajuda/autobiografia
Páginas: 349 páginas.
Nota: ✰✰✰✰

Quando coloquei os olhos no livro de Jenny Lawson pensei que fosse apenas mais uma história ficcional sobre uma personalidade totalmente excêntrica e tão fora da casinha que daria vontade de colocar numa redoma de vidro e guardar na estante. Porém, eis que não chuto muito longe e descubro que, na verdade, o livro se trata de uma autobiografia da própria autora e que continuo com a ideia da redoma de vidro. Não tem como não se apaixonar pelas loucuras dessa mulher, é impossível, repito: impossível não querer conhecer de perto quem escreveu suas próprias lembranças únicas e memoráveis. Confesso que quando vi que era uma "biografia", já me surgiu aquela má vontade de continuar (porque não sou fã de biografias de quem não conheço ou adoro muito), mas ao ler o primeiro capítulo eu vi que fui levada para um caminho que não conseguiria sair até não finalizar. 

"Em outras palavras, pare de se julgar usando como base as pessoas perfeitas. Evite as pessoas perfeitas. Elas são uma fraude. Ou tente conhecê-las o bastante para perceber que, no fim das contas, elas não são tão perfeitas."
Jenny conta suas maluquices ao longo de todos os capítulos, cada um com uma essência diferente e nada, mas nada mesmo previsível (talvez seja porque algumas/todas essas coisas só aconteçam com ela). Conhecemos parte de sua vida lidando com a depressão, transtorno de ansiedade e outras doenças psicológicas, mas tudo com o máximo de humor envolvido (o que parece ser deboche, porém não é, é apenas uma forma alucinadamente feliz de encarar os problemas). Fatos como um pai taxidermista que envia girafas pela metade de presente para a filha, guaxinins empalhados com sorrisos enormes estampados, um marido que faz o impossível para entender a esposa, cisnes assassinos ou coalas que se recusam a tirar fotos com alguém vestida de coala da cabeça aos pés são alguns dos que marcam presença pelas páginas do livro.
"E, bem, talvez não... mas acho que é assim que o amor funciona. Às vezes significa limpar a sujeira que você não fez, ou dirigir até o aeroporto três vezes na mesma semana para pegar quem se ama, ou até ursos inesperados e possíveis girafas de surpresa. É provável que os últimos exemplos não sejam para a maioria das pessoas. Porém, no fim das contas, não somos como a maioria."
Com uma capa encantadora (parabéns Intrínseca) e um interior todinho trabalhado para fazer a gente não só suspirar nas histórias doidas da autora, mas também com a beleza do livro é realmente muito difícil não se apaixonar por essa obra. Não tenho como dar um breve resumo da história, mas digo, sem spoilers, que Jenny começou um projeto no seu blog alegando que seria Alucinadamente Feliz dali em diante e seu projeto acabou viralizando e entrou no meu coração também. Com essa iniciativa ela resolveu que compartilhar dos seus momentos, eu diria, épicos seria uma forma legal de mostrar como tentar se curar de transtornos psicológicos de uma forma criativa. Desculpa sociedade, posso não ter nenhuma doença crônica relacionada ao meu psicológico (ou talvez só ache que não tenho), mas daqui para frente, também vou ser alucinadamente feliz. 

 Sinopse (via Skoob)
Jenny Lawson está longe de ser uma pessoa comum. Ela mesma se considera colecionadora de transtornos mentais, já que é uma depressiva altamente funcional com transtorno de ansiedade grave, depressão clínica moderada, distúrbio de automutilação brando, transtorno de personalidade esquiva e um ocasional transtorno de despersonalização, além de tricotilomania (que é a compulsão de arrancar os cabelos). Por essa perspectiva, sua vida pode parecer um fardo insustentável. Mas não é. Após receber a notícia da morte prematura de mais um amigo, Jenny decide não se deixar levar pela depressão e revidar com intensidade, lutando para ser alucinadamente feliz. Mesmo ciente de que às vezes pode acabar uma semana inteira sem energia para levantar da cama, ela resolve que criará para si o maior número possível de experiências hilárias e ridículas a fim de encontrar o caminho de volta à sanidade. É por meio das situações mais inusitadas que a autora consegue encarar seus transtornos de forma direta e franca, levando o leitor a refletir sobre como a sociedade lida com os distúrbios mentais e aqueles que sofrem deles, sem nunca perder o senso de humor. Jenny parte do princípio de que ninguém deveria ter vergonha de assumir uma crise de ansiedade, ninguém deveria menosprezar o sofrimento alheio por ele ser psicológico, e não físico. Ao contrário, é justamente por abraçar esse lado mais sombrio da vida que se torna possível experimentar, com igual intensidade, não só a dor, mas a alegria.
Trecho do livro:
     "[...] Tive uma vida muito estranha e esquisita, com mais altos e baixos que uma mulher comum poderia tentar matar com uma cajadada. (O que seria estranho, porque, na minha experiência pessoal, mulheres comuns raramente usam cajados para enfrentar qualquer coisa. mulheres estranhas costumam usar um cajado para enfrentar moinhos de vento, pumas e arbustos que pensaram que eram pumas porque tinham tomado amaretto demais.)
      Quando penso na minha vida, vejo pontos altos de felicidade, mas também os pontos baixos, em que precisei me convencer de que o suicídio não era a solução. E, entre uma coisa e outra, vejo minha vida. Vejo que a tristeza e a tragédia tornaram a euforia e o delicioso êxtase muito mais doces. Vejo que esticar minha alma para sentir cada centímetro da terrível depressão me deu muito mais espaço para crescer e saborear a beleza da vida que outras pessoas talvez nunca apreciem. Vejo que há poeira no ar, que acabará caindo no chão e sendo varrida para fora da casa como algo indesejado, mas antes disso, por um momento brilhante, vejo as partículas de poeira iluminadas pelo sol, brilhando e dançando como poeira das estrelas. Vejo o princípio e o fim de todas as coisas. Vejo minha vida. Ela é belamente feia e manchada bem do jeito que deveria ser. Ela brilha com detritos. Há encantamento e alegria nas coisas mais simples. Minha mãe estava certa.
        Tudo depende do seu ponto de vista."

2 comentários:

  1. Ah, que legal essa biografia. É tão bom quando lemos algo que não é tão pesado e sim leve, fazendo nos dar muitas gargalhadas. Eu também não sou fã de biografias, mas dependendo da narrativa, eu arriscaria sim ler o livro.
    Abraços!
    Leitora Encantada

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    Respostas
    1. É um livro bem incrível, digo porque pensei ser uma coisa e no fim era outra ainda melhor. Vale a pena! <3

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