22 de agosto de 2016

Eu não sou descartável

Tudo anda se reduzindo a nada, inclusive o amor. Queria mesmo saber quem é que andou ensinando por aí que pessoas devem ser tratadas como coisas e não como seres. Por favor, já podem me apresentar o infeliz? Preciso dar uns bons tapas de realidade na cara dessa criatura. Porque já chega, cansei dessa idiotice de tudo parecer descartável. Tudo gira em torno do esquecimento, mas me diz: pra quê? Por que motivo um ser humano se vê tentado a esquecer algo que já lhe fez bem só porque, no presente, acabou? Não, isso não entra na minha cabeça e que me desculpem os que se julgam desapegados. 

Eu não sou descartável e odeio me sentir como se fosse. Não sou um copo plástico que você bebe dois goles e joga fora só por ser mais um que saciou sua sede. Meu caro, o amor é mais que isso, é muito mais que instantes. As pessoas são mais que meros momentos, entenda! Uma coisa é o fato de que acontecimentos beiram os mares do esquecimento, outra coisa é esquecer de fato a importância de alguém na nossa vida. 

Confesso que já quis esquecer amores antigos, já quis eliminar qualquer vestígio de certas pessoas da minha história, mas te digo: não consegui. Não consegui porque não vejo as pessoas como coisas, vejo como seres iguais a mim e importantes dentro da minha caminhada. Quis enxergar justo você, que me fez um mal danado, como um alguém importante dentro do livro da minha vida. Se quer bem saber: eu não te esqueci e nem quero. Não sou como você, me recuso a ter tamanha ignorância dentro de mim.

Me recuso a te enxergar como um fim que deu errado, pois não deu errado. Deu certo! Deu totalmente certo para o momento em que estávamos, fomos felizes, não fomos? Não acho que seja o final de algo que defina a trajetória inteira. Jamais te verei como alguém que foi embora e não voltou, apesar de essa ser a realidade, verei como um alguém que decidiu seguir um novo caminho, mas mesmo assim permaneceu. Permaneceu porque, querendo ou não, me importo com o seu bem estar longe de mim e torço em silêncio por dias tranquilos por aí.

Sei que as pessoas não são descartáveis como copos plásticos, sei que sentimentos valem muito para deixar que se percam com os anos. Sei, principalmente, que embora para alguns o desapego soe como um descarte emocional, para mim, soa como um apego. Apego sim, porque o que já foi importante de verdade, não deixa de ser só pela distância ou pelo efeito do fim supostamente dito. Não somos emocionalmente descartáveis, jamais seremos.

Esse post faz parte do Blog Every Day August.

4 comentários:

  1. Que lindo, a gente tem que aprender que não temos que esconder nossos sentimentos, que passamos por situações ruins sim, aceitar o bom e o ruim de nós mesmos, que somos humandos! E contruir relaçãoes mais saudáveis ^^

    ResponderExcluir
  2. Acho que se sofre menos quando se age como se pessoas fossem descartáveis. É uma maneira de se lidar com a tristeza, então não condeno quem o faz. Mas é triste, claro.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Acho que não deveríamos tratar o outro como descartável, mas como passado sim. Há uma diferença em ignorar extremamente ou apenas esquecer.<3

      Excluir

Seja mais do que bem-vindo!

Não esqueça de voltar.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...