5 de agosto de 2016

Leio ou não?: O Garoto Quase Atropelado - Vinícius Grossos

Autor: Vinícius Grossos
Editora: Faro Editorial
Gênero: Romance
Páginas: 271 páginas.
Nota: ✰✰✰✰

Para início de conversa deixa eu constar uma única coisinha: O Garoto Quase Atropelado é que me atropelou. Deixando dito isso vou constar um pequeno apelo ao autor: pelo amor de Deus nunca pare de escrever e criar histórias incríveis. O livro me encantou em todos os aspectos, não tenho como negar. Quando pensei que seria mais um daqueles livros meia boca com histórias sobre adolescentes que de alguma forma se assemelham com outras histórias sobre adolescentes foi que me enganei. O Garoto Quase Atropelado é digno de uma resenha cheia de elogios. Vinícius Grossos abusou de sua criatividade criando personagens marcantes em cenários mais legais ainda e com personalidades e vidas tumultuadas que nos fazem explodir em amores por cada um. Sem contar o trabalho da Faro Editorial que deixou a aparência da obra ainda mais especial, estão de parabéns.
"É complexo, mas por tudo o que já vivi, tanto relacionado à felicidade como à tristeza, acho que as duas são complementares e precisam uma da outra para existir. Como saberíamos o que é felicidade se não soubéssemos como é a tristeza?"
O livro conta a história de um garoto, o qual não saberemos o nome, que por conta de acontecimentos terríveis em sua vida acaba encontrando um refúgio na escrita. Sua psicóloga lhe sugere que escreva um diário para se libertar aos poucos de suas dores e avaliar seus novos dias. Porém, não é o diário que muda a vida do personagem, mas o quase acidente em que se envolveu. Quando andava em sua bicicleta quase foi atropelado pela Cabelo de Raposa, uma menina um tanto diferente e apaixonante (digamos que nosso protagonista concorda com a segunda parte em especial). E após conhecê-la as coisas começam a mudar. Ao longo do livro surgem mais duas pessoas, o James Dean não-tão-bonito e a menina de cabelo roxo, que também são amigos da garota que quase o atropelou. Eles se juntam e entram numa onda de próprias descobertas, onde entendem o valor das amizades perante a vida e passam a compreender seus monstros interiores com mais clareza.
"Aprendi que só é possível sofrer menos quando a gente aceita a dor, aceita falar sobre ela. Senão, é como se agente tentasse apagar uma morte matando uma pessoa duas vezes. E isso faz doer mais e para sempre."
Sinto que uma simples resenha não seja suficiente, não consigo deixar mais claro do que usar uma palavra clichê para expressar minha opinião: amor. É, exatamente, é muito amor por esse livro, não é por nada que está nos meus favoritos. Embarcar numa jornada com um personagem que conhecemos muito mais do que muitas pessoas, mas nem sabemos o nome, e adentrar em histórias nas ramificações desse garoto é impressionante. O modo como ele pensa me faz querer ser sua amiga e principalmente o modo como ele tenta agir diante das situações nos faz ter uma empatia enorme. O Garoto Quase Atropelado é um livro nacional que deveria ser leitura obrigatória e que com certeza ainda vai entrar para a lista de favoritos de muita gente. Só tenho a agradecer ao Vinícius por trazer uma leitura intensa, criativa e agradável, e principalmente por ser autor nacional mostrando que a literatura no Brasil é incrível. 
Sinopse (Skoob):
Um garoto sofreu com um acontecimento terrível. Para não enlouquecer, ele começa a escrever um diário que o inspira a recomeçar, a fazer algo novo a cada dia. O que não imaginou foi que agindo assim ele se abriria para conhecer pessoas muito diferentes: a cabelo de raposa, o James Dean não-tão-bonito e a menina de cabelo roxo, e que sua vida mudaria para sempre! Prepare-se para se sentir quase atropelado de uma forma intensa, seja pelas fortes emoções do primeiro amor, pelas alegrias de uma nova amizade ou pelas descobertas que só acontecem nos momentos-limite de nossas vidas. Estar vivo e viver são coisas absolutamente diferentes!
Trecho do livro: 
     - Oi - ela sibilou, de dentro do carro se recuperando da crise de riso.
     - Oi - respondi na hora.
     O cabelo dela era castanho-avermelhado, como a pelagem das raposas dos livros infantis, e caía sobre seus ombros magros. Eu também podia ver o início do que parecia um vestido azul-marinho com bolinhas brancas por baixo de uma jaqueta preta de couro.
     Os raios de sol batiam no rosto dela e - uau! - juro que ela parecia um anjo fugido do paraíso. A sensação que eu tinha era de que podia ficar apenas olhando para ela a minha vida toda...
     Então, esse momento fugaz foi quebrado quando ela deu ré com o carro, passou a primeira marcha e parou com o veículo ao meu lado, com a janela do lado do carona totalmente aberta.
     - Você está bem? - ela quis saber.
     Por instantes, apenas pisquei, como um bobão, até que sacudi a cabeça em confirmação.
     Ela sorriu e, então, enfiou na boca um desses cigarros que têm gosto de hortelã, e falou alfo que, por culpa do cigarro pendurado entre os dentes, eu não pude entender direito. Ou ela disse: a) bem-vindo ao mundo, de novo; ou b) bem-vindo ao mundo novo. E se a opção b fosse a correta, seria porque ela conhecia o livro que eu estava lendo, e, mesmo que se leve em consideração a popularidade do Admirável Mundo Novo, há que se admitir que ele é pouco lido por adolescentes.
     Ela acendeu o cigarro, tragou profundamente, soltou a fumaça espessa e disse por fim:
     - A gente se vê por aí. - E saiu com o carro, logo em seguida.

Esse post faz parte do Blog Every Day August.

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