18 de outubro de 2016

Não me culpe por amar demais

Não é como se eu pudesse controlar os meus sentimentos, para falar a verdade nem sequer disfarçar meus excessos eu consigo bem. Talvez soe exagerada essa minha mania intensa de sentir, mas não me culpe por ser assim. Eu só não entendo bem quando as pessoas economizam sentimento, fico me perguntando por quanto tempo pretendem deixar o pó acumular lá dentro.  

Não sou do tipo que guardo o amor para depois e me desculpe por não me desculpar por isso. Só acho que sentimento foi feito para ser demonstrado, não vejo sentido em inibir a força de algo tão bonito. Talvez eu realmente faça papel de trouxa como você me disse, talvez soe auto-mutilador com o meu coração transbordar amor sem esperar algo em troca. Mas sabe, não me importo. Se o amor fosse para ser retribuído, talvez soasse mais como mercadoria e menos como sentimento.

Não se ama esperando ser amado de volta. Reciprocidade é algo que não podemos exigir, é o livre-arbítrio do outro. Talvez realmente eu faça esse papel de menina inocente que não conhece a vida e acha tudo lindo com borboletas e pássaros voando num céu azul. Entretanto, eu conheço a tempestade e mesmo assim insisto em amá-la do seu jeito turbulento que vem para confundir as minhas certezas. Sem ela, quem eu seria? 

Posso ser trouxa por dar amor a alguém que me retribuí com ódio, mas a gente dá o que tem no coração, não é? Não me culpo por amar mais do que o que dizem ser necessário, não me sinto nada culpada quando tentam me dizer que talvez meu erro seja ser boa demais. Ninguém erra em ser bom, mesmo que ser assim possa machucar de alguma forma. Não é errado transbordar amor por aí, vai por mim. 

Você cresce e descobre que sim, o amor é complicado. Sentir é complicado. Nem por isso consegue deixar de praticar esse simples ato incontrolável. Não vale a pena tentar aprisionar o que não tem consistência, não há muros que inibirão a vontade do sentir. Há apenas máscaras, finas camadas de frieza e gelo que permanecem por momento, mas logo derretem. Não adianta engaiolar o amor, ele foi feito para ser livre.

Faço papel de trouxa sim, com orgulho. Não porque vivi pouco o suficiente e não me decepcionei com o amor, mas sim porque já conheci o lado negro do que é controlar um sentir que não consegue ser domado. Se ser trouxa para você é amar em excesso, assumo meu papel. Só não me culpe por amar demais, principalmente quando é puro amor que se reprime aí dentro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seja mais do que bem-vindo!

Não esqueça de voltar.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...