29 de junho de 2017

Leio ou não?: Alucinadamente Feliz - Jenny Lawson

Autor: Jenny Lawson
Editora: Intrínseca
Gênero: Auto-biografia.
Páginas: 352 páginas.
Nota: ✰✰✰✰✰

Já faz um tempo que li Alucinadamente Feliz e consequentemente continuo numa grande ressaca literária com essa obra. A verdade é que não tenho adjetivos para definir, nenhum que realmente possa fazer jus à ele, só sei que se tornou um dos meus queridinhos. O livro conta a história de Jenny Lawson, a própria autora, numa autobiografia um tanto cômica sobre assuntos trágicos. Ela encontrou uma maneira de expor distúrbios mentais muito comuns sem que seja aquele jeito sério que costumamos tratar uma doença e mostra a cada capítulo como é conviver com elas e mesmo assim continuar tentando e sendo feliz. Ou melhor, alucinadamente feliz. 
''Há alguma coisa na depressão que permite (ou às vezes) explorar emoções numa profundidade que a maioria das pessoas 'normais' não faz ideia de que existe.''
Jenny é diagnosticada com depressão clínica moderada, transtorno de ansiedade grave, transtorno de personalidade esquiva, distúrbio de automutilação proveniente de transtorno de controle de impulsos, um ocasional transtorno de personalização, TOC moderado e tricotilomania (impulso de arrancar os cabelos) e para sair disso tudo ela resolve que não quer se afundar, mas sim, decide ser alucinadamente feliz, assumindo sua "insanidade" e usando dela para sair do fundo do poço. Uma atitude inteligente que viralizou e vem dando certo com ela e seus leitores. O modo como a autora trata de cada situação proveniente de algum de seus "problemas" é justamente negar a existência de um problema e enxergar o ato como uma ação decorrente de algo, levar menos a sério, encontrar uma maneira diferente de resolver e aproveitar o momento, mesmo que possa soar complicado na maioria das vezes.
"Às vezes ser louco é perfeito."
Pensando bem pode ou deve ser considerado um livro de autoajuda autobiográfico, porém numa forma mais expansiva de pensar, é apenas um livro sobre situações terríveis sendo interpretado com um certo grau de humor. É um livro de superação e de luta de alguém que inspira a ter a mesma atitude diante de algum problema, para ser mais exata. Jenny se tornou uma amiga ao decorrer de cada página e alguém que eu gostaria de ter o prazer de conhecer um dia, simplesmente pela forma cativante que se apresentou em cada nova frase. A diagramação e arte do livro estão impecáveis, a Intrínseca fez um ótimo trabalho. É um livro para ser lido e absorvido com a mente aberta e disposta a encarar novos modos de ver as coisas sérias da vida.

 Sinopse (via Skoob)
Jenny Lawson está longe de ser uma pessoa comum. Ela mesma se considera colecionadora de transtornos mentais, já que é uma depressiva altamente funcional com transtorno de ansiedade grave, depressão clínica moderada, distúrbio de automutilação brando, transtorno de personalidade esquiva e um ocasional transtorno de despersonalização, além de tricotilomania (que é a compulsão de arrancar os cabelos). Por essa perspectiva, sua vida pode parecer um fardo insustentável. Mas não é. Após receber a notícia da morte prematura de mais um amigo, Jenny decide não se deixar levar pela depressão e revidar com intensidade, lutando para ser alucinadamente feliz. Mesmo ciente de que às vezes pode acabar uma semana inteira sem energia para levantar da cama, ela resolve que criará para si o maior número possível de experiências hilárias e ridículas a fim de encontrar o caminho de volta à sanidade. É por meio das situações mais inusitadas que a autora consegue encarar seus transtornos de forma direta e franca, levando o leitor a refletir sobre como a sociedade lida com os distúrbios mentais e aqueles que sofrem deles, sem nunca perder o senso de humor. Jenny parte do princípio de que ninguém deveria ter vergonha de assumir uma crise de ansiedade, ninguém deveria menosprezar o sofrimento alheio por ele ser psicológico, e não físico. Ao contrário, é justamente por abraçar esse lado mais sombrio da vida que se torna possível experimentar, com igual intensidade, não só a dor, mas a alegria.

Trecho do Livro:
     "[...] Não, não. Eu insisto que você pare agora mesmo.
     Ainda está aqui? Excelente. Agora não vai poder me culpar por nada que encontrar neste livro, porque eu avisei que deveria parar e você continuou mesmo assim. Você é como a mulher do Barba Azul quando encontrou todas aquelas cabeças no armário. (Alerta de spoiler.) Mas, particularmente, acho que isso é bom. Ignorar as cabeças humanas decepadas no armário não contribui para um relacionamento, só gera um armário com sérios problemas de higiene e possivelmente uma acusação de cúmplice. Você precisa enfrentar essas cabeças decapitadas, pois não pode crescer sem reconhecer que todos somos feitos da esquisitice que tentamos esconder do resto do mundo. Todo mundo tem cabeças humanas no closet. Às vezes as cabeças são segredos ou confissões não ditas, ou ainda medos silenciosos. Este livro é uma dessas cabeças decepadas. O que você tem nas mãos é a minha cabeça decepada. A analogia é ruim, mas, em minha defesa, eu disse que era melhor parar. Não quero culpar a vítima, mas agora estamos juntos nessa.
     Tudo neste livro é em grande parte verdade, mas alguns detalhes foram alterados para proteger os culpados. Sei que o costume é “proteger os inocentes”, mas por que eles precisariam de proteção? Eles são inocentes. Além disso, escrever sobre eles não chega nem perto da diversão que é escrever sobre os culpados, que sempre têm histórias mais fascinantes e que fazem a gente se sentir melhor por comparação.
     Este é um livro engraçado sobre viver com um transtorno mental. Parece uma combinação terrível, mas, falo por mim, tenho transtorno mental e algumas das pessoas mais hilárias que conheço também têm. Então, se você não gostar do livro, talvez só não seja louco o bastante para isso. No fim das contas, você sai ganhando de um jeito ou de outro. [...]"

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