14 janeiro 2020

DEIXA EU NAVEGAR EM VOCÊ

Logo eu que não me deixo encantar tão fácil acabei por me apaixonar pelo teu profundo oceano particular. É que a corrente do mar retorna e meu coração sem salva-vida ainda não aprendeu a remar contra maré.

Você me puxou para dentro, tal como as ondas do repuxo e eu nem tive chance de bater os pés e nadar para longe. Talvez a verdade seja que não quis fugir de ti. Pelo contrário, me afoguei na tua imensidão sem a pretensão de retornar.

Mergulhei na escuridão do teu ser feito incógnita, fui levada para alto mar sem ter chance de construir sequer um frágil barco de papel para me salvar. Tive que entender os teus caminhos sem as tuas palavras guias, aprender a me situar só com a companhia das estrelas.

Me fiz onda para poder em ti navegar, me misturei à poesia do silêncio que ecoa no oco vácuo do teu vasto mar, nas entrelinhas que me deixou para desvendar.

Eu bem sei que esse teu olhar enigma esconde tesouro de pirata, mas perdão, pirata eu não sei ser. Nem mapa sei traçar, não quero ter que te buscar em algo simples que reluz. Luz mesmo só desse teu sorriso sacana que se fez meu farol bordado de defeitos, entenda, cada vez que tu sorri ao invés de me encontrar, eu me perco.

Parece de propósito esse caos que tu me causa, de entrar e não conseguir sair. Tanto barco atracado, tão pouco espaço no teu píer para colocar meu barquinho e ainda assim tu me leva para navegar sem me ter onde guardar.

Eu, que sem bússola resolvi me aventurar, me perdi no calor de verão do teu ser salgado, no teu beijo doce tão encaixe do meu e já não sei não querer me aprofundar.

Deixa eu mergulhar em você, moço? Não sei mais ficar no raso.

Deixa eu levantar âncora e viajar entre as tuas linhas, te descobrir com poesia no misturar do teu sabor ao meu.

Deixa moço, deixa eu navegar nas tuas ondas até que numa dessas tuas ressacas vazias eu acabe naufragando de vez? 

10 janeiro 2020

TE FIZ MEU CÉU PARA PODER EM TI ORBITAR

Meu bem, tu mal sabe, mas o mundo se tornou tão meu quando te conheci.

Tu: um completo e irreversível universo inteiramente particular, uma incógnita cósmica.

O mundo se tornou pequeno perto das constelações que tu me trouxe pra desvendar. Logo comigo, astrônoma de caixa de pesquisa, marinheira de estrelas e ideias furadas, dona de razões duvidosas sobre tudo e qualquer coisa que o cérebro tenta inventar, tendo que decifrar teu código flutuando numa nave de vontade tua imersa no vácuo imaterial da saudade

Difícil manter a linha sem tripulação, complicado pra caramba pilotar entre a chuva de meteoros e emoções que teu caos me trouxe. Não tem âncora nesse mar de sensações que me faça querer parar de adentrar tua galáxia. Não há ventos no oco infinito do teu universo que me faça recuar. 

Eu, que tanto gosto de velejar na poesia de romantismos cafonas tive de ser razão pra te descobrir sem fantasias. Perdi o eixo de equilíbrio do meu planetinha esquecido, causei mudanças bruscas em toda minha via láctea plagiada, questionei a importância das minhas conversas com a lua e me aproximei do sol com a inocência de me aquecer sem me queimar.

Mas queimou, sabia? Até faísca eu vi quando tua pele na minha tocou, ardeu nervo por nervo onde o dissipar da tua energia pelo meu corpo passeou. E eu, como boa colecionadora de sensações, gostei do teu toque buraco negro que me sugou pra si. 

Você chegou como asteroide despencando na velocidade da luz em noites claras, desses que a gente confunde com estrela cadente e faz poesia pra alma. Destruiu meu mundinho no impacto da queda e me deu um novo lar no teu universo complexo, sem nem ter consciência dos fatos.

Te vi num céu de purpurina nessas noites calorosas enquanto trocava diálogos com a lua e me perguntava se de algum modo estava a admirar ela também. Esperando, talvez, que o brilho da grande pupila da noite pudesse, de alguma forma, conectar nosso olhar. 

Te fiz meu céu, em uma galáxia aleatória, num mundo novo onde nunca pude estar, te vejo em luares e constelações únicas, entre planetas e astros desconhecidos pelo "pesquisar" do meu Google para poder em ti, vez ou outra, orbitar.


15 dezembro 2019

VOCÊ PODE VER AS ESTRELAS TAMBÉM?

Leia ao som de All Of The Stars - Ed Sheeran 
Cá estou eu, encarando a lua por mais essa noite, me perguntando se em seu cantinho do universo, por um acaso, está a observá-la também. Se de alguma forma essa grande bola cheia que se esvazia a cada dia pode conectar o nosso olhar por entre a neblina que nos ronda.  

O assovio fino do vento que rasga as horas vazias me faz lembrar de uma melodia que nunca tocou, da trilha sonora que só existe na minha cabeça e não tive coragem de deixar ir além. Eu cantaria pra você a nossa canção, a qual nem faz ideia que existe. Ao dedilhar acordes soltos no ar dividiria minha voz entrecortada com o som da tua respiração não importando as condições de afinação que minha garganta envergonhada me trouxessem.

Se não estivesse assim, tão longe, talvez pudesse me escutar. 

Sabe, hoje eu vi uma estrela cadente e pensei em você, sei que não deveriaSorri, involuntária e constantemente por alguns minutos te guardando fixo na lembrança junto à faísca que rasgou a tela negra pontilhada de brilhos à minha frente. Unifiquei meu desejo da sua presença àquela estrela caída, como se dessa maneira pudesse entrelaçar o teu universo ao meu só com o olhar. 

Um mundo inteiro estendido diante do meu horizonte, mil luzes para me guiar, mas nenhuma podendo me levar até você. Minha solitude acompanhada do teu eu em pensamentos e um misto de receio e covardia em deixar o coração ultrapassar os limites dos meus mudos desabafos noturnos com a lua. 

É insônia o que tua orquestra silenciosa me trás. Deixa incógnitas, brechas de vazio que me causam uma ansiedade lotada de uma euforia inquietante.

E eu corro ver o céu, porque ali eu sou menor que meu orgulho em evitar a gente. Eu corro pra um mundo maior do que minha confusão interna, nele eu fujo da insistência bipolar em te deixar saber que penso um pouco que demais em ti. 

A verdade, moço, é que troco diálogos com a lua em noites como essa esperando que do outro lado você possa me escutar, esperando que as energias do universo me carreguem pro teu lado da cama no embalar do meu suspiro transbordado de uma saudade que não sei se é recíproca. 

Você chegou como quem não quer nada, surgindo e desaparecendo quando bem entendia, e causou reviravoltas no meu pequeno universo particular. E agora? Como eu faço pra ajeitar tudo sozinha se a preguiça que me consome na verdade é só a manifestação da minha real vontade de deixar a tua bagunça se misturar com a minha?

Você está do outro lado desse horizonte, onde as luzes da cidade se perdem e as estrelas ganham formas, mas a distância não me parece ser só física, talvez também esteja a quilômetros do teu coração.

Há um céu infestado de vagalumes aqui dentro. Eles batem asas no vazio do meu estômago e preenchem com suas luzes as noites que sem você são tão vazias. Eu queria você comigo a observar o mundo, com os dedinhos enlaçados, para bem além das minúcias de sentimentos cuspidas em formas de palavras que jogo no ar...

Eu posso ver as estrelas... me pergunto, você pode vê-las também?

Sei, não deveria te querer. Não nessa, nem em outras noites de estômagos estrelados, devia nublar essas sensações do meu cosmos interior pra evitar ver chuvas de meteoros... Não pense que não estou tentando.

Me diz, antes de ir embora mais uma vez, com teu jeito torto de compreender o mundo e esse sorriso desgraçado de bonito, como faz pra controlar uma constelação que surge de dentro e te transborda?


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