4 de janeiro de 2019

o azul do mar lembrou teus olhos castanhos

Não foi intencional, eu juro. 

Pode mesmo não fazer sentido, mas toda a imensidão perdeu a cor diante da lembrança do teu olhar moreno. Talvez a verdade seja que cor nenhuma consegue superar o brilho que tu trás aí dentro. 

Coração é mesmo involuntário, né? Tenho culpa não de ele me levar a ti sem eu ter que mover meus benditos pés dessa areia macia, é que distancia nenhuma supera minha mania em te trazer pra perto. 

Desculpa, oras. Não faço por mal. 

Sabe, é doce te ver sorrir, não falo desses sorrisos cheios de dentes. Falo do sorriso que as tuas íris transmitem. Trás paz e uma vontadezinha incansável de te mimar e te cuidar pra sempre. Diga-se de passagem, é um belo sorriso aquele com dentes também, do tipo que amolece todinho o meu coração.  

Af, é uma bela de uma droga o que tu faz comigo. 

... como faz falta todos os teus risos. Dos mais escandalosos com ruídos engasgados aos mais singelos cantos da boca levantados. Principalmente aquele que acompanhado de um eu te amo quase no mudo, sussurrado, fazia o cantinho direito da tua boca subir num sorrir fechado que parecia querer dizer que todo nosso amor jamais iria embora de dentro de ti.  Mas, ele foi não é? Nosso amor escapou...

Ué, é saudade o nome disso que o azul do mar me proporcionou? 

Faz tanto tempo, não? Tanto tempo que não te vejo estampar um único sorriso. Não porque tu não sorri mais, nós é que não somos mais presença. Mesmo não tendo a sorte grande de espreitar um riso teu de canto, peço aos céus que tu esbanje muitos deles por aí, as pessoas precisam ver coisas maravilhosas como essas.  

É engraçado, mas só de lembrar eu é que estou sorrindo. 

... acho que, no fundo, não muito a fundo eu olharia pro teu olho como com facilidade encaro o olhar intenso do oceano. Não parece, mas teu olho castanho pra mim é mais profundeza que os milhões de mistérios escondidos no mar.

Eu não sei o que seria do meu olhar ao encontrar o teu, nem de todo o resto de mim que habita o meu corpo. O que eu faria com esse coração açucarado quando a onda nervosa de te encarar levasse toda minha resistência de ti? Quem eu seria sem escudo e capacete diante do teu olhar carregado de munição? Diante da tua boca levemente curvada pra direita bem na minha frente...

Será que aquelas mesmas borboletas que me visitaram em outras primaveras surgiriam em pleno verão que tu me faz sentir? Talvez eu nunca saiba novamente, não é? 

Tá tudo bem, me resta namorar o mar e abraçar as ondas, enquanto o meu olhar castanho se perde na busca pela tua distante imensidão.  

23 de agosto de 2017

Amor é a inconstância do sentir

Descobrir o amor é como se arriscar numa montanha-russa pela primeira vez, você começa calmo, apenas se deslocando, subindo, encarando pequenas ondulações e frios na barriga em curtos espaços de tempo. E continua subindo, desacelerando, acelerando um pouco mais. Até chegar ao ápice, ao ponto mais alto. E aí você desaba numa onda de adrenalina e medo, nutrindo uma sensação de bem estar e de estômago revirado ao mesmo tempo, até tudo voltar a desacelerar. Tudo, menos o coração. 

O coração continua inquieto, as pernas continuam bambas depois dessa aventura e você olha para trás e a única coisa que consegue pensar é: daria tudo para sentir isso novamente. 

E você dá tudo de si, enfrenta seu medo de altura, suas fobias bobas. Sua vontade de desistir fica de lado e você coloca a cara a tapa e encara mais uma vez os altos e baixos, as borboletas no estômago, o sentimento congelante de cair em um poço sem fundo e o medo de não ter uma corda para poder voltar... mas algo te trás segurança, sem saber o que ao certo é isso que te faz ir em frente mais uma vez.

Amar é inconstância, é se jogar no desconhecido como se soubesse lidar, como se o pouco que se conhecesse e a leve experiencia que já se teve fosse o suficiente para acreditar naquele mantra de que vai dar certo a todo custo. A verdade é que não precisa dar certo, amor é dar errado num dia e certo no outro. 

Não existe um padrão que defina qual o ponto exato de perfeição na conexão de duas almas. Só se descobre o amor, amando. Entenda o que eu digo, se descobre o amor, não a definição dele. Quem sente sabe que lágrimas não cobrem o valor do sentir, tempo não cura a cicatriz das lembranças. 

Amor não gera raiva, não gera rancor e ao contrário do que dizem, amor e ódio não andam juntos. Quem cultiva esse sentimento dentro de si, não deixa espaço para o oposto tentar semear. Amor é a inconstância do sentir, a fragilidade de um coração que palpita na adrenalina que o medo trás e consegue enxergar beleza na tensão da conectividade do corpo e da alma. 

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