17 fevereiro 2020

UMA PEQUENA CARTA PARA MEU EU DO PASSADO

Querida eu do passado,

Você conseguiu não foi? Eu sabia que conseguiria.

Estou muito orgulhosa disso tudo, de ver você amadurecendo pouco a pouco, no tempo certo, sem afobações. Sei que nem tudo foram flores, mas os espinhos também dão beleza ao contexto. 

Te ver deixar os medos de lados e encarar a vida é gratificante, logo você que tinha tanto receio de tudo vem nutrindo uma confiança inquebrável. É lindo te ver sair da zona de conforto sempre que pode, se impor tantos desafios em nome do crescimento pessoal, da própria evolução.

Eu sabia, dava para ver nos seus olhos brilhantes de ansiedade pela vida que o mundo seria seu se você quisesse.

Sinto tanto orgulho por estar cada vez mais perto dos teus sonhos sólidos e também da busca infindável pela liberdade de ser, apenas ser.

Continue sendo essa intensidade toda e acima de tudo sendo verdade sempre, isso te trouxe até aqui e levará para picos ainda mais altos.

Você passou por muito e tem muito de se orgulhar por quem é agora ou já foi. Certo?

Sabe que eu não gosto de remoer passado, então não vou falar de coisas ruins, nem boas mais. Só escrevi para te dizer que se fosse diferente, definitivamente não seria a gente



16 fevereiro 2020

QUERIDO FUTURO AMOR,


Querido futuro amor,

Não tenho pressa. Nem expectativas criadas. 

Convém te avisar antes de te deixar entregar o ingresso para o carinha da portaria destacar sua metade e devolver como lembrança uns avisos de segurança: saiba que ao se aventurar nesse universo comicamente caótico não poderá confiar nem na veracidade das constelações para te guiar, vai por mim, nada provavelmente vá ser como você espera que seja. Esteja com a bússola da sua mente à postos para pé por pé saber caminhar por si.

Sei que ao juntar dois corações numa mútua síntese dos mais absurdos sentimentos se espera caminhar juntos, eu discordo, desculpe. Caminharemos lado a lado, não em sincronia. Eu com meu passo esquisito e você, provavelmente, com aquelas reboladinhas inevitáveis construindo a confiança de que mesmo à frente por centímetros ou pés trocados sempre estenderemos a mão um para o outro.

Eu sou mutável meu bem, uma nebulosa astronômica difusa. Não espero que entenda e nem quero que tente entender, não estou disponível para pessoas dicionário que tentam reduzir infinitos particulares à significados medíocres. Vivemos por quase um século e nem nossa própria mente entendemos, quem dirá decifrar o outro. Somos complexos demais, interessantes o suficiente para gerar diálogos por noites a fio sobre tudo e qualquer teoria existencial também.

Eu sou, no mais intenso do verbo e espero que seja também. Compreende?

Não chegue nem perto se for para ser superfície, sou oceano profundo, repleto de escuridões indecifradas e não quero dividir anseios com quem prefere nadar na beira. 

Não estou a sua espera, mas se chegar, chegue completo, pois não sou feita metades para ninguém. 

15 fevereiro 2020

ESTAR SÓ, COMIGO

Hoje me convidei para sair.

Sair da monotonia dos fins de semanas regados a companhias trem-bala que em segundos mudam de estação e dar descanso aos tímpanos estourados pelo som de músicas que afagam egos frouxos.

Deixei a rotina no varal molhar com a chuva de atenção que dei a mim, queimei a necessidade de presenças alheias no fogão abandonado enquanto acertava a conta com o entregador da pizza de amor próprio que adquiri. 

Bebi meu vinho amargo entre goles doces da minha própria comédia romântica interiorizada, talvez melhor que original da Netflix.

Fiquei sozinha, comigo.

Um programa entre eu e eu onde posso reconhecer quem, de fato, sou

Ignorei chamadas rasas no bip incessante da tecnologia antisocial socializadora, me fiz presença em mim.

Escolhi fazer as pazes com a solitude há muito ignorada pela ansiedade de viver os dias sem pausas.

Hoje eu decidi estar só. Só comigo.
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