29 maio 2019

VAMOS FINGIR QUE ESTÁ TUDO BEM

Vamos fingir que tudo está completamente bem. Que o dia nublado continua sendo sinônimo de brincar e ver formas aleatórias nas nuvens de algodão. Vamos fingir que a multidão não sufoca, o piscar das luzes não desfoca a visão e a música alta é totalmente agradável aos ouvidos. Que a ardência que desce seca na garganta, depois de um gole amargo é mais gostosa que o gelar dos dentes num picolé caseiro feito com suco de saquinho. Que palhaços ainda tem as piadas mais engraçadas e maça do amor é apenas uma fruta com cobertura doce e não uma metáfora sentimental.

Vamos fingir que ser gente grande é divertido. Que aguentar o chefe mal humorado é melhor que suportar tomar banho quente depois de ralar os joelhos. Que a demorada fila do banco é muito mais divertida que a ansiedade que fica ao esperar para entrar no carrinho bate-bate. Vamos fingir que as contas são divertidas, que ambientes para fumantes não são sufocantes, que o gosto da cerveja é docinho e que bares não são oceanos para afogar mágoas. Porque afinal, basta fingir que está tudo bem e as únicas mágoas serão ter que parar de comer balas e escovar os dentes ou dormir cedinho para ver desenho animado no outro dia pela manhã.

23 maio 2019

A DISTÂNCIA É ESTRANHA QUANDO A PRESENÇA É INTERNA

Estávamos a sós.

você. Apenas eu.

Ambos corpos separados pelo espaço físico de anos.

Sobre o travesseiro mudo as memórias repousadas.

Os ouvidos? Atentos ao interior daquele que aos poucos se armaria numa figurativa taquicardia emocional e àquela trilha sonora desgraçada. Iniciada bem ao fundo (shh!) baixinha, vinda lá do cantinho do inconsciente já à postos, totalmente decidida a nos aproximar em mais uma dessas noites. Essas que o pé gela pelo frio enquanto as mãos queimam na porcelana da xícara de café ardente e a gente olha para o céu estrelado e se questiona:

"Seria diferente?"


19 fevereiro 2019

A MEMÓRIA É FALHA AO TENTAR TE LEMBRAR

É estranho as memórias que a gente perde para o tempo, mesmo que em grande negação

Não queria esquecer teus fragmentos ou os pedaços da nossa história que foram se perdendo pela minha mente conturbada. Não queria perder a fonte de todas aquelas lembranças boas ao olhar para trás, e poder te materializar como se a distância entre nossos corpos fosse insignificante diante de uma imaginação forte. 

Nunca levei a sério essa questão do tempo ser o remédio para as coisas do coração, mas talvez ele seja e a gente nem precise ter noção disso de fato.

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